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Pergunta: Considera que a SIC e a Visão, fizeram uma reportagem parcial, desinformativa e deturpada sobre o Vegetarianismo?
Sim, totalmente. Considero vergonhoso o mau serviço público que fizeram, suspeito que haja interesses económicos por detrás. - 4 (66.7%)
Sim, sem dúvida. A reportagem não foi séria. - 0 (0%)
Sim, no geral concordo. - 0 (0%)
Não sei dizer, não estou bem informado / não vi a reportagem. - 2 (33.3%)
Não sei dizer, não percebo de vegetarianismo. - 0 (0%)
Não, parece-me que foi uma boa reportagem. - 0 (0%)
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Tópico: Reportagem SIC manipula negativamente o vegetarianismo - PROTESTE.  (Lida 6176 vezes)
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« em: Janeiro 21, 2008, 02:29:09 »



ESTUDOS COMPROVAM: O VEGETARIANISMO É SAUDÁVEL
POLÉMICA REPORTAGEM DA SIC E VISÃO MANIPULA NEGATIVAMENTE O VEGETARIANISMO


"Nada será mais benéfico para a saúde humana e o ambiente que o vegetarianismo"
Albert Einstein


* * *


Introdução:

Actualmente e por todo o mundo, dezenas de milhões de vegetarianos com boa saúde que já o são há vários anos, décadas ou mesmo em toda a sua vida, desde atletas campeões, actores, filósofos, cientistas até "simples" cidadãos, comprovam sem qualquer sombra de dúvidas que a alimentação vegetariana é muito saudável para todos e para todas as idades, isto sem contar com todas as outras vantagens, sejam elas éticas, ambientais e de sustentabilidade, espirituais e humanitárias... No entanto, derivado a vários interesses ou preconceitos, ainda existem muitas pessoas e grupos, que de alguma forma, consciente ou não, tentam manipular esta questão para manter a generalidade das pessoas desinformadas para as vantagens do vegetarianismo. Quem quiser conhecer factos científicos acerca de toda esta matéria, poderá ler mais abaixo um exemplo de alguns artigos científicos apresentados e ver os sites indicados para mais detalhes.

Se quiser saber o que pode fazer para protestar e ajudar a evitar mais destas reportagens desinformativas, é favor ler mais abaixo.

A reportagem polémica:

No Domingo de dia 14 de Janeiro, foi apresentado na estação de televisão SIC ( www.sic.pt ), uma reportagem sobre vegetarianismo, no qual apresentava um jornalista da revista Visão (do mesmo grupo empresarial que a SIC), a sem qualquer motivo válido, fazer uma experiência por um período de 2 meses, para passar de um regime alimentar omnívoro (que come carnes), para um regime alimentar estritamente vegetariano, também conhecido por veganismo (não consome nada de origem animal). O jornalista disse querer experimentar isto apenas para fazer uma reportagem e demonstrar como é que o seu corpo e mente reagiriam face à experiência, uma experiência que à partida estaria condenada ao fracasso devido à forma leviana como foi realizada.

No entanto, no geral da reportagem da Visão, e especialmente da SIC que teve uma longa duração de cerca de 30 mins, demonstrou-se que a mesma foi na realidade uma vergonha para o jornalismo, foi parcial, deturpada e repleta de desinformação acerca do que o vegetarianismo realmente é. Foi muito pobre em conteúdos, sem qualquer informação relevante e útil, o jornalista simplesmente não percebia nada sobre vegetarianismo e culinária vegetariana, não falaram sequer dos importantes motivos que levam as pessoas a serem vegetarianas, entre outros erros. A SIC e a Visão chegaram ao ponto  de contactar pessoas e associações vegetarianas como a Associação Vegetariana Portuguesa e o Centro Vegetariano, e apesar de ter recebido informação científica acerca do assunto e a disponibilidade por parte de vegetarianos experientes para falar do assunto, ainda assim por algum motivo não explicado, a SIC decidiu não apresentar qualquer facto informativo sobre o vegetarianismo ou entrevistar vegetarianos, tendo dessa forma, a reportagem mostrado somente um lado da questão que se revelou ser deturpado. Seria importantíssimo perceber o porque de a Visão e especialmente a SIC terem-se recusado a fazer tal coisa, pois seria da sua obrigação jornalística o fazer. O que a SIC fez, foi entrevistar uma família que tem uma alimentação macrobiótica (que pouco ou nada tem a ver com vegetarianismo), e que ainda por cima não eram vegetarianos porque comiam carnes, sendo que isto obviamente não fez qualquer sentido para com o tema em questão.

Outro dado muito relevante é que a SIC e a Visão pediram a assistência de uma conhecida médica de nome Isabel do Carmo, para em termos nutricionais aconselhar o senhor jornalista que fez a experiência, e igualmente monitorizar o seu progresso. No entanto esta médica não é sequer nutricionista (isso não foi referido), e é publicamente uma conhecida opositora do vegetarianismo, se por preconceito, falta de informação ou por algum interesse escondido, fica aqui uma questão deveras pertinente. Obviamente que por todos estes motivos, que a sua posição e comentários sobre o assunto dentro da reportagem, não seriam imparciais, como acabou por se comprovar, tendo isso sido muito mais perceptível quando uma semana mais tarde, a SIC realizou um pequeno debate sobre o tema (devido a todos os protestos que a SIC recebeu contra a parcialidade da reportagem), no qual a mesma senhora se comportou de uma forma pouco exemplar, tendo demonstrado toda a sua ignorância e preconceito contra o vegetarianismo.

É muito importante ter a consciência que, assim como acontece noutras áreas, infelizmente na alimentação existem muitos médicos e nutricionistas que, essencialmente por estarem mal informados ou derivado a interesses económicos por detrás da questão, adoptam o tipo de atitudes que foi adoptada pelos ditos "especialistas" nesta reportagem, desinformando assim as pessoas. É importante não se acreditar em tudo o que se vê e lê sem questionar, mas sim pensar por nós próprios e procurar nos informarmos em várias fontes.

Qual o verdadeiro motivo que moveu os jornalistas a fazerem esta reportagem?

Esta será talvez a principal questão a fazer, pois da forma parcial e desinformativa como a reportagem foi feita, ainda por cima a terem-se negado a consultar e dado tempo de antena a pessoas vegetarianas entendidas no assunto, uma pessoa tem a forte tendência de suspeitar que por detrás desta peça de pseudo-jornalismo, ou existe um forte preconceito por parte de alguém ou de um grupo, ou existem fortes interesses económicos por parte da indústria de exploração de animais.

A reportagem da SIC representou uma forte perda de credibilidade jornalística, nos dias seguintes foram centenas os protestos que se fizeram ouvir contra a reportagem, vindo de vegetarianos e mesmo de não-vegetarianos, de vários profissionais como médicos e nutricionistas. A indignação, oposição e pressão foi de tal ordem que a SIC, numa fraca tentativa de "tentar lavar a cara" e restaurar alguma credibilidade, emitiu um pequeno e incompleto debate extraordinário sobre a reportagem e o vegetarianismo, no dia 20 de Janeiro, infelizmente na SIC Noticias, aos quais poucas pessoas têm acesso.

Conheças as reportagens que são a origem desta polémica:

VÍDEOS: http://www.pelosanimais.org.pt/blogue/100_vegetal
Reportagem SIC:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/sic+tv/reportagem+sic/100+Vegetal.htm
Reportagem Visão: http://clix.visao.pt/Actualidade/Sociedade/Pages/vegetariano.aspx
 

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PROTESTE - ENVIE UMA MENSAGEM PARA:
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 - Televisão SIC (director Alcides Vieira e jornalista Raquel Marinho):
http://sic.sapo.pt/online/institucional/contactos.htm  | atendimento@sic.pt
- Revista Visão: http://clix.visao.pt
- Dra Isabel do Carmo (Hospital Santa Maria, equipa Endocrinologia):
hospitaldesantamaria@hsm.min-saude.pt
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Para saber mais, consulte estes sites de grande qualidade informativa sobre o Vegetarianismo:
www.avp.org.pt  |  www.centrovegetariano.org  |  www.sejavegetariano.org
 
Animação - Porque ser Vegetariano?
http://avp.org.pt/avp-vegetarianismo/avp-flash_porque_ser_vegano.htm




« Última modificação: Janeiro 23, 2008, 01:51:00 por Earth First » Registado

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« Responder #1 em: Janeiro 21, 2008, 02:31:57 »



ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE OS BENEFÍCIOS DE SAÚDE DO VEGETARIANISMO

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RAZÕES DE SAÚDE  PARA O VEGETARIANISMO:
 
A opção por uma alimentação vegetariana equilibrada é considerada, desde há anos e por várias organizações e instituições, como uma escolha saudável e benéfica, já que ajuda a prevenir e a tratar várias doenças e problemas de saúde. (1)

No Journal of The American Medical Association refere-se que "uma dieta vegetariana pode prevenir de 90 a 97% de todas as doenças cardíacas."

O American National Institute of Health acentua que "os vegetarianos possuem uma longevidade maior e uma menor incidência de cancro quando comparados com quem come carne." 
 
Estas considerações são corroboradas pelos muitos estudos científicos indicando que pessoas com uma alimentação vegetariana – quando comparadas com quem come carne animal -  têm menor risco de contraírem vários problemas de saúde e apresentam menor incidência de obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, vários tipos de cancro (do cólon, do colo-rectal, nos intestinos, pulmonar), falhas renais, osteoporose, asma, alergias, entre outras.(2)
 
Por exemplo, os estudos do PCRM (Comité Médico para uma Medicina Responsável) mostram que a carne não é essencial para a saúde. Podem-se facilmente obter os nutrientes de que o nosso organismo necessita, incluindo as proteínas, através do consumo exclusivo de alimentos de origem vegetal. A realidade é que os omnívoros (principalmente nos países ocidentais e mais industrializados) consomem proteína em excesso, logo uma correcta alimentação vegetariana irá diminuir este excesso até níveis mais adequados ao metabolismo do organismo humano.
 
Os problemas de comer carne:
 
A carne e derivados (ovos, lacticínios) apresentam valores extremamente altos de colesterol nocivo e de gorduras saturadas. Este excesso vai-se acumulando nas paredes internas das artérias causando arteriosclerose, que conduz à hipertensão arterial, às doenças cardíacas e derrames. As doenças cardíacas são a causa de quase metade das mortes nos EUA e em muitos dos restantes países mais industrializados.
 
O tempo que a carne demora a fazer a digestão e passar pelo intestino é de aproximadamente cinco dias, enquanto que uma refeição vegetariana demora cerca de um dia. Quanto mais tempo o alimento em putrefação fica no intestino, maior é o risco de contrair cancro do cólon e outras doenças intestinais.
 
Quando se faz um churrasco, a gordura que vai pingando pode produzir um subproduto chamado Benzopireno-1, que é o principal agente causador do cancro no fumo do tabaco. O benzopireno sobe pelo fumo do carvão e adere à carne do churrasco. Assim, um pedaço de carne (900 gr) de churrasco bem passado pode conter a mesma quantidade de benzopireno que 600 cigarros. Metilcloranteno, uma outra substância relacionada com o aparecimento de cancro, é formada quando a gordura é aquecida a uma alta temperatura, seja a carne frita, cozida ou grelhada.
 
O nitrato de sódio e o sódio nitrito são usados como conservantes para retardar a putrefacção em todas as carnes curadas/fumadas (enchidos, presunto). Sob certas condições, os nitratos combinam-se com as aminas encontradas nas carnes e outros alimentos para formar nitrosaminas, que são consideradas pelo FDA como "um dos mais formidáveis e versáteis grupos de cancerígenos já descobertos".
 
A carne requer pelo menos 3 vezes mais trabalho da parte dos rins do que os alimentos de origem vegetal. Os ovos também sobrecarregam os rins e o fígado devido ao alto teor de enxofre (além do alto teor de colesterol nocivo). Quando os rins adoecem devido à sobrecarga e à idade, os dejectos são depositados por todo o organismo e cristalizam-se nas articulações. Isso provoca a condição dolorosa da artrite, do reumatismo e da gota.
 
Esteróides e outras hormonas têm sido usados durante anos para aumentar artificialmente o peso dos animais de criação. Anfetaminas, tranquilizantes, antibióticos e centenas de outros medicamentos também são usados e vão passar para o organismo humano quando a pessoa ingere essa carne. Evitar o consumo de carne é um dos melhores e mais simples caminhos para reduzir a ingestão de gorduras.

As seguintes doenças são comuns em pessoas que comem carne: anemias, apendicite, artrite, cancro da mama, cancro de cólon, cancro de próstata, colesterol, prisão de ventre, obesidade, diabetes, pedras na vesícula, gota, hipertensão arterial, indigestão e outros problemas gástricos, falhas renais, varizes, asma, alergias, etc (4)
 
Os benefícios da alimentação vegetariana:
 
O organismo não pode utilizar ou assimilar a proteína no seu estado original. A proteína deve ser primeiro desdobrada nos seus aminoácidos componentes. Há 23 aminoácidos e o organismo humano produz todos excepto 8 deles. Embora todas as frutas contenham a maioria destes 8 aminoácidos, há alguns vegetais que contêm todos os oito. Eles são: bananas, cenouras, couve-de-bruxelas, repolho, couve-flor, milho, pepino, beringela, couve-galega, quiabo, ervilha, batata, batata doce, abóbora e tomate. (4)
 
Todas as nozes, sementes de girassol e de sésamo, amendoins e feijões também contêm todos os 8 aminoácidos não produzidos pelo organismo. É muito mais fácil para o organismo absorver aminoácidos desses alimentos do que das carnes. A carne deve ser cozinhada para matar as bactérias e os vermes que nela proliferam. E já que a cozedura destrói aminoácidos, é recomendado comer bastantes saladas frescas/cruas e vegetais apenas ligeiramente cozidos.
 
Através da digestão de alimentos e pela reciclagem dos dejectos proteícos, o organismo tem todos os diferentes aminoácidos constantemente em circulação no sangue e nos vasos linfáticos. O organismo também tem a capacidade de armazenar os aminoácidos no fígado e nas células. Quando o organismo precisa de proteína, os aminoácidos são obtidos imediatamente dessas reservas. (4)
 
Não produz produtos putrefactos no intestino, evitando assim essa causa de infecções.
É uma alimentação de força e de resistencia, pela abundância em hidratos de carbono, essenciais para o aporte de energia ao cérebro e para a formação de massa muscular.
Dá descanso suficiente aos rins já que não os submete ao trabalho exagerado de neutralização da toxicidade a que a ingestão de produtos animais obriga.
Vegetarianos têm 20% menos colesterol que omnívoros e isso reduz consideravelmente ataques cardíacos e cancro.
O risco de morte por ataque cardíaco nos vegetarianos, comparando com os omnívoros, é 50% mais baixo
Estudos científicos têm demonstrado que os vegetarianos são capazes de executar testes físicos durante 2 a 3 vezes mais tempo do que os que comem carne e recuperam do cansaço em 1/5 do tempo. Existem aliás, em todo o mundo, vários atletas premiados que optaram pelo vegetarianismo ao constatarem os óptimos resultados obtidos. Bons exemplos são Carl Lewis, Edwin Moses, Martina Navratilova, Murray Rose, entre muitos outros atletas campeões em desportos que vão desde a natação, ao atletismo e ao culturismo. (6)
 
Vitamina B12

Conhecida como um dos temas mais polémicos da dieta vegana (que se abstem do consumo de qualquer produto de origem animal), é uma vitamina pertencente ao chamado Complexo B que tem um papel fundamental no metabolismo. A vitamina B12 (ou cobalamina) intervém na formação de glóbulos vermelhos e ajuda no correcto funcionamento do sistema nervoso central (5)

Alguns estudiosos aceitam que, apesar da B12 já ter sido um dia abundante em vegetais, hoje em dia praticamente apenas se encontra nos produtos animais. Na realidade ela é exclusivamente sintetizada por bactérias, nem animais de grandes dimensões nem seres vegetais a sintetizam. Mas as plantas podem contê-la, desde que estejam em contacto com bactérias que a produzem, presentes no solo. Os produtos animais são ricos em B12 apenas porque os animais ingerem alimentos contaminados com essas bactérias, ou as mesmas proliferam nos intestinos. Tanto a ingestão de alimentos enriquecidos, como a suplementação de vitamina B12 têm sido recomendadas para complementar a alimentação de pessoas veganas (que não ingerem qualquer tipo de produto de origem animal)
 
De qualquer modo, todas as pessoas devem estar atentas ao seu estado de saúde geral e contactarem um profissional em nutricionismo, familiarizado com a alimentação vegetariana, de modo a se sentirem mais seguras quanto à sua escolha.
 
Sofia Barradas
(Associação Vegetariana Portuguesa - 2007)

Referências:
 
(1) http://www.eatright.org/cps/rde/xchg/ada/hs.xsl/advocacy_933_ENU_HTML.htm
(2) http://www.vegetarianismo.com.br/ADA-dietas-vegetarianas.html
(3) http://www.pcrm.org
(4) http://www.vegetarianismo.com.br/ADA-dietas-vegetarianas.html
(5) http://www.healthline.com/galecontent/vitamin-b12
(6) http://www.vegetarianismo.com.br/esportes/atletas-veg.html

 
 
-----------------------------------------------------------
 
 
 
Uma alimentação vegana (vegetariana pura) equilibrada:
 
Décadas de experiência, culminando em mais de 1 milhão de veganos em todo o mundo, demonstram que o regime vegano é saudável e apropriado para todas as idades.
 
Estudos científicos comprovam que os veganos, em geral, apresentam menos probabilidades de contrair doenças degenerativas e cardiovasculares do que os ovo-lacto-vegetarianos e estes menos do que os consumidores de carne. Não obstante, a maioria das pessoas não vegetarianas, continua a pensar que os veganos são indivíduos pálidos ou anémicos, mas isto talvez se fundamente, em certos casos, aquando de insuficiências nutricionais. Mas tal como acontece em qualquer outro regime, se não houver equilíbrio e diversidade, o organismo não estará a receber todos os nutrientes necessários o que resultará numa ou mais carências. Por exemplo, pão branco, margarina hidrogenada e fritos, podem ser parte integrante do regime vegano. Porém, em demasia, não só serão prejudiciais à saúde como estarão a tirar o lugar a outros alimentos mais ricos.
 
O princípio básico de uma alimentação vegana saudável é consumir uma grande variedade de vegetais e frutos. Estes são extremamente ricos em fibras, vitaminas e minerais, e os seus aminoácidos e anti-oxidantes são muito benéficos para o nosso organismo. Produtos alimentares refinados e modificados (de modo a se conservarem por mais tempo, por exemplo) são sinónimo de perda de nutrientes. Óleos não hidrogenados, farinhas e produtos integrais (massas, arroz, pão) e alimentos sem conservantes ou corantes, devem ser prioritários uma vez que são mais completos e não possuem químicos artificiais. Alimentos provenientes da agricultura biológica são mais naturais e seguramente os mais saudáveis.
 
 
A lista que se encontra abaixo não é exaustiva, apresentando portanto, as principais fontes de nutrientes numa dieta vegana:
 
Hidratos de carbono: São necessários para a produção de energia, de calor e indispensáveis à absorção das vitaminas liposolúveis e do cálcio. Encontram-se sobretudo em cereais, pão e farinhas, frutos secos (nozes, avelãs, amendoins, amêndoas, castanha de caju, castanhas), bananas, açúcares, leguminosas (feijão, soja, ervilhas, lentilhas e grão), batatas.
 
Fibras: Mantêm o sistema vascular em bom funcionamento, previnem problemas intestinais. Encontram-se em citrinos, maçãs, batatas, ervilhas, feijões, brócolos, cenouras e em todos os alimentos vegetais e não refinados (sobretudo cereais integrais).
 
Proteínas: São necessárias a um crescimento normal e ajudam na reparação de tecidos e vasos sanguíneos. Também fornecem energia. São encontradas em frutos secos (nozes, amêndoas, amendoins, avelãs, castanha de caju, castanhas) sementes (sésamo, abóbora, girassol), leguminosas (ervilhas, feijão, soja, lentilhas e grão), cereais (arroz, milho, aveia, centeio, trigo) farinhas vegetais, massas, pão, millet, seitan, produtos derivados da soja (tofu, molho de soja, leite de soja, tamari, tempeh), cogumelos, algas, fruta.
 
Vitaminas: As vitaminas são um conjunto de nutrientes que o corpo não consegue sintetizar ou então não sintetiza em quantidade suficiente. O aspecto que estes nutrientes têm em comum é que são apenas necessários em muito pouca quantidade.
 
Vitamina A (ou beta carotenos): Ajuda no crescimento, é muito benéfica para a visão e protege as mucosas. Está presente em frutos e vegetais vermelhos, cor de laranja e amarelos como por exemplo: tomates e morangos, cenouras, laranjas, alperces e pêssegos, limões e carambolas (respectivamente), encontra-se também em vegetais de folha escura. É geralmente adicionada a margarinas veganas.
 
Vitaminas do Complexo B: Este grupo de vitaminas inclui a vitamina B1 (ou tiamina), a vitamina B2 (ou riboflavina), a vitamina B3 (ou niacina), a vitamina B6 (ou piridoxina), a vitamina B9 ou ácido fólico (sintetiza aminoácidos e quebra as cadeias de aminoácidos, previne algumas anemias e ajuda o crescimento) e a vitamina B12 (ou cianocobalamina). Todas as vitaminas B (excepto a B12) encontram-se em cereais e farinhas integrais, frutos secos (nozes, avelãs, amêndoas, pinhões, castanhas, castanhas de caju, amendoins), frutas frescas, sementes, leguminosas (grão, feijão, soja, lentilhas e ervilhas), todos os vegetais verdes.
 
Vitamina B12: A vitamina B12 é essencial para a produção de DNA, RNA e mielina (bainha adiposa que envolve as fibras nervosas). É essencial ao crescimento e divisão das células e, à formação de glóbulos vermelhos. A forma activa da vitamina B12 (cobalamina) é a única vitamina que não está presente em vegetais. Esta vitamina é sintetizada por bactérias que se encontram no solo e que herbívoros ingerem adquirindo-a. A B12 pode encontrar-se também em leite de soja enriquecido, hamburgers de soja e cereais fortificados, no entanto, em Portugal não é muito fácil encontrarem-se estes produtos pelo que é aconselhável que as pessoas procurem em lojas/mini mercados de produtos naturais que são os locais onde é mais provável existirem. Soja fermentada, tofu, tempeh, tamari e miso podem contê-la também. Finalmente, a vitamina B12 pode também ser obtida através de suplementos vitamínicos.
 
Vitamina C: Permite uma melhor cicatrização, previne o aparecimento do escorbuto, fortifica o sistema imunitário, mantém os níveis de estamina, ajuda na formação de vasos sanguíneos fortes e aumenta a resistência a infecções. A vitamina C pode ser encontrada em pimentos, pepinos, morangos, citrinos, uvas, papaias, brócolos, espargos, couves de Bruxelas, alface, batatas e em vegetais de folha escura.
 
Vitamina D: A vitamina D é importante para a construção de tecido ósseo, sendo indispensável para a absorção do cálcio. Previne a destruição das vitaminas C e A e ajuda no crescimento. Ela pode ser sintetizada pelo organismo humano através da exposição ao sol. Pode ser também encontrada em sementes de sésamo e cogumelos.
 
Vitamina E: Contribui para um crescimento saudável, ajuda na construção de tecido muscular e é muito importante para o sistema reprodutor. Possivelmente retarda o envelhecimento. Pode ser encontrada em gérmen de arroz e trigo, milho, cereais integrais, óleos vegetais, vegetais de folha escura, sementes, frutos secos e legumes.
 
Vitamina K: Tem como função regular a coagulação do sangue. Encontra-se em vegetais frescos e de folha escura, óleo de soja, cereais e é sintetizada por bactérias no intestino.
 
Vitamina PP, Nicotinamida ou Niacina: Contribui para uma boa digestão, para manter uma pele saudável e para crescimento normal. Está presente em amendoins, cerveja, farinha, pão, arroz, soja, levedura e vagens.
 
Gorduras: São indispensáveis para uma pele saudável, fornecem energia e calor, são necessárias para a absorção das vitaminas liposolúveis e do cálcio. Podem ser encontradas em óleos vegetais, frutos secos (nozes, avelãs, amendoins, amêndoas, castanha de caju), cremes e manteigas à base de frutos secos (manteiga de amendoim, creme de avelãs) e margarinas veganas.
 
Ácidos gordos essenciais: Limitam o excesso de formação de colesterol no sangue. Encontram-se presentes em milho, nozes, óleos vegetais, amendoins, sementes de sésamo e sementes de girassol.
 
Minerais:
 
Cálcio: É necessário ao desenvolvimento e crescimento dos ossos e dentes, à coagulação normal do sangue e ao bom funcionamento dos músculos. O nosso organismo não pode absorver o cálcio sem a presença da vitamina D. O cálcio pode ser encontrado em agriões, ruibarbo, beterraba, espinafres, brócolos, couve chinesa, couve portuguesa, cebola crua, couve crua, pepinos, feijão verde, salsa, aipo cru, nabo, zucchini, alcachofras, vegetais de folha escura e na água da torneira em regiões de água dura.
 
Ferro: É necessário à formação de glóbulos vermelhos e regula processos metabólicos. A vitamina C torna a absorção do ferro mais eficaz pelo organismo. O ferro encontra-se em ameixas, cereais integrais, passas, vegetais de folha escura, melaço, sementes de sésamo, farinha de soja, coco, caril, frutas secas (especialmente figos e alperces) e em vagens.
 
Iodo: Permite o bom desenvolvimento da tiróide e do sistema imunitário. Está presente em vegetais, mas nestes a sua quantidade depende da riqueza do solo onde foram criados. Pode ainda ser encontrado em algas marinhas, feijões, espargos, vegetais verdes e em ananás.
 
Magnésio: É necessário para ossos fortes, pele saudável, o bom funcionamento dos músculos e do tecido nervoso. O magnésio está presente em legumes, sementes, frutas, chá, alfafa, gérmen de trigo e cereais integrais.

Potássio: Este mineral é electrólito importante para a transmissão nervosa, contracção muscular e equilíbrio de fluidos no organismo. Sintomas de deficiência de potássio incluem fraqueza muscular, desorientação e fadiga. Encontra-se em vários alimentos frescos como: abóbora, bananas, agriões, alface, batatas, berinjela, pêra abacate, ananás, beterraba, brócolos, alimentos de grãos integrais.

Sódio: É igualmente um electrólito importante para a transmissão nervosa, contracção muscular e equilíbrio de fluidos no organismo. Atletas que participam em corridas longas devem prestar atenção à reposição de sódio para evitar a hioponatremia. Muito sódio na dieta pode levar à hipertensão em pessoas com predisposição genética. Está presente no azeite, sal de cozinha (é preferível o sal não refinado), alface, brócolos, cenoura, couve-flor, beterraba.

Zinco: Tem um importante papel nas reacções enzimáticas e no sistema imunitário. Também ajuda a combater infecções. O zinco encontra-se em sementes e frutos secos, gérmen de trigo, levedura da cerveja, cereais integrais, vegetais verdes e amarelos, frutas amarelas, abóbora e sementes de sésamo, lentilhas.
 
Flúor e outros minerais: O flúor e fluoreto são necessários para fixar o cálcio aos ossos. Este e outros minerais como boro, cromo, cloreto, cobre, manganês, molibdénio, selénio, silicone, enxofre e vanádio são necessários para a saúde em quantidades extremamente reduzidas. Uma dieta vegana equilibrada prevê as quantidades necessárias destes elementos.
 
 
Sílvia Ferreira
(Associação Vegetariana Portuguesa - 2005)
 
 
Referências:
 
http://www.vegansociety.com/html/food/nutrition/
http://www.diabetes.org.br/dicionario_alimentos/index.php
http://www.roche.pt/vitaminas/vitamina/b12.cfm
http://www.ivu.org/ave/b12sheet.html
http://www.vivasaudavel.pt/produtoA.asp?categ=medicamentos&prod=0000000000000013742&TokenUser=NA&ParentURL=
 
« Última modificação: Janeiro 21, 2008, 04:38:31 por Earth First » Registado

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« Responder #2 em: Janeiro 21, 2008, 02:34:54 »

COMENTÁRIOS E POSIÇÕES DE ASSOCIAÇÕES VEGETARIANAS:


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Associação Vegetariana Portuguesa
Carta Aberta da AVP
sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Carta Aberta à SIC e à revista Visão sobre a Grande Reportagem “100% Vegetal”

Exmos Srs. A Associação Vegetariana Portuguesa vem por este meio expressar a sua indignação perante o trabalho jornalístico apresentado quer na revista Visão quer no canal de televisão SIC, efectuado pelo jornalista João Luz, sobre uma experiência baseada na adopção de uma alimentação vegana durante dois meses. De facto, existiram inúmeras falhas na realização desta experiência que, desde o início esteve condenada ao insucesso.

Assim, temos a lamentar, nomeadamente:

-a ausência de conhecimentos acerca do Vegetarianismo1, mais concretamente do Veganismo2 que não deve nunca ser confundido com Macrobiótica3, como foi apresentado na reportagem, o que veio contribuir assim para uma maior confusão destes conceitos;
-a falta de acompanhamento médico adequado, dado que a Associação Vegetariana Portuguesa não reconhece na pessoa da Dra. Isabel do Carmo uma profissional habilitada a orientar qualquer questão relacionada com o Vegetarianismo;
-que nos exames médicos não tenham sido mencionados os valores de referência dos parâmetros analisados, para que se possa realizar uma leitura correcta dos resultados apresentados; -a omissão das reais motivações que movem os veganos a seguir este estilo de vida e que em nada coincidiram com o intuito deste trabalho jornalístico; -a comparação dos custos de produtos nutricionalmente distintos (por exemplo, peito de frango versus seitan) e o facto de o jornalista não se ter esforçado no sentido de encontrar os produtos economicamente mais acessíveis existentes no mercado;
-a má selecção dos alimentos usados na experiência – essencialmente produtos processados - e a não referência aos alimentos-base de uma alimentação vegana saudável, a qual inclui leguminosas, cereais integrais, frutas e vegetais frescos, oleaginosas, frutos secos, sementes, algas;
-a impressão deixada de que o Veganismo não apresenta sustentabilidade nutricional sem recurso a inúmeros suplementos, quando na realidade uma alimentação vegana diversificada e bem planeada cumpre todos os requisitos nutricionais para o bem-estar físico e psicológico, havendo apenas a necessidade de garantir um aporte adequado de vitamina B12;
-a carência de um apoio técnico favorável à Nutrição Vegetariana4 ao jornalista que participou nesta experiência;
-a imprecisão dos dados estatísticos fornecidos sobre a população vegana em Portugal, leva-nos a questionar quais as fontes – que não foram referidas - consultadas para a obtenção desta informação; 1 de 2
-a atitude irresponsável do jornalista, que transmitiu a ideia de que a alimentação é um tema menor das nossas vidas, veiculando um mau exemplo de transição para uma alimentação vegetariana, que foi feita de forma abrupta, inconsciente e mal informada; -a ausência de uma perspectiva internacional sobre a realidade de milhões de pessoas que em todo mundo são veganas e têm famílias saudáveis e felizes a seguir esta alimentação, reconhecida desde há vários anos, por inúmeras instituições internacionais ligadas ao Nutricionismo, como sendo saudável e benéfica em qualquer idade e estado de vida.5 Seria também de salientar que, por exemplo, em Inglaterra existem empresas seguradoras que concedem descontos em seguros de vida a pessoas vegetarianas, precisamente por estas apresentarem, reconhecidamente, maior esperança de vida e melhores perspectivas de saúde.6


Acreditando que a Visão e a SIC, como importantes órgãos de informação em Portugal, com uma reputação a defender, queiram colmatar estas falhas e informar correctamente e de forma isenta a população portuguesa, a Associação Vegetariana Portuguesa disponibiliza-se desde já a colaborar em qualquer trabalho jornalístico que seja consentâneo com esse propósito de isenção e imparcialidade sobre um tema tão abrangente e tão importante em tantas áreas, como a ética, a saúde, a problemática do aquecimento global, a económica e social, a humanitária e, em última instância, a conservação do planeta e da vida humana.

Com os nossos melhores cumprimentos, Atentamente
Associação Vegetariana Portuguesa

_____________________________ _____________________________ ____________ 1 Vegetarianismo: estilo de vida em que não se consome carne nem peixe 2 Veganismo: filosofia de vida em que não se consome/usa nenhum produto de origem animal (carne, peixe, lacticínios, mel, queijo, couro, peles, lã, seda, etc.) nem se contribui para a exploração animal (circos, touradas, jardim zoológicos, testes em animais) 3 Macrobiótica: filosofia de vida de origem oriental que preconiza o equilíbrio da alimentação baseada em 2 pólos: yin e yang, feminino e masculino, frio e quente, etc. sendo incluídos nas refeições diárias cereais integrais (50%), sopas (5 a 10%), vegetais (25 a 30%), leguminosas e algas (5 a 10%) e pickles. Exclui carne e lacticínios, podendo no entanto incluir peixe e marisco. 4 Contactos de nutricionistas/dietistas/terapeutas favoráveis ao Vegetarianismo / Veganismo: http://www.centrovegetariano.org/Article-341-M%25E9dicos%252C%2BNutricionistas%2Be%2Boutros%2BProfissionais.html 5 http://www.eatright.org/cps/rde/xchg/ada/hs.xsl/advocacy_933_ENU_HTML.htm 6 http://www.privatehealth.co.uk/news/august-2007/life-insurance-policy-vegetarians-649





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Centro Vegetariano
Carta Aberta Visão/SIC

Antes de mais, gostaríamos, em nome do Centro Vegetariano, de felicitar a Visão e a SIC por abordarem um tema como o Vegetarianismo, que certamente interessa a uma vasta fatia da população e tem apresentado um crescimento significativo no nosso país – bem hajam, e esperamos que não seja a última vez.
Em seguimento do que lemos e vimos, como médicos de formação convencional (um Vegetariano, outro omnívoro), gostaríamos de acrescentar:

- A transição entre dois tipos de dietas diferentes deve ser gradual, não feita de um dia para o outro. Com uma transição gradual, eventualmente passando por um período de ovo-lacto-vegetarianismo, o repórter teria certamente adquirido uma outra perspectiva. A transição para o Veganismo, como para qualquer outro tipo de dieta, exige um período de adaptação do organismo e de recolha activa de informação, para uma boa escolha dos alimentos e locais para adquiri-los ou tomar refeições.

- Uma má alimentação é sempre uma má alimentação, independentemente da dieta ser Vegetariana, Omnívora ou outra. Comer em excesso doces ou carne produz sempre maus resultados, independentemente da dieta seguida. Assim, teria sido vantajoso o repórter ter seguido um plano nutricional estabelecido por um profissional da área, pelo menos na fase inicial em que desconhecia o que comer ou onde comer.

- Nao temos dúvidas em afirmar que uma dieta vegetariana racional é saudável e acima de tudo muito mais ética e ecológica que uma dieta omnívora convencional, por muito racional que esta dieta omnívora o seja.

- A vitamina B12 é armazenada no fígado em grandes quantidades, sendo que um súbito défice nutricional ao nível deste nutriente leva a que apenas passados largos meses (ou anos) se verifique uma diminuição significativa deste nutriente nos doseamentos sanguíneos, e não em apenas poucas semanas, tempo de duração da experiência. Tendo em conta, para além disto, que o doseamento de vitamina B12 não é 100% fiável, pode-se inferir que ou o repórter em causa apresentava a priori baixos níveis desta vitamina (por possível regime alimentar inadequado) ou o doseamento de controlo desta não se deverá considerar válido.

- A maior parte dos casos de deficiência de B12 não se deve à baixa ingestão da vitamina, mas sim a deficiências na sua digestão e absorção. Qualquer vegano deve saber que a vitamina B12 é o único nutriente que dificilmente se obtém em quantidade suficiente em alimentos de origem vegetal, pelo que se devem ingerir alimentos enriquecidos com esse nutriente ou um suplemento vitamínico.

- A apresentação dos valores de referência dos parâmetros analisados seria útil ao leitor leigo.

- Parece-nos redutor indicar que se “estimam 30000 vegetarianos” em Portugal, sem tão pouco citar as entidades responsáveis pelo estudo. Na realidade, este número resulta do primeiro estudo sério e credível feito em Portugal, como o repórter foi devidamente informado pelo Centro Vegetariano quando o contactou. O resultado foi obtido num estudo do Centro Vegetariano, realizado em Outubro de 2007 pela empresa Nielsen, líder mundial em estudos de mercado, e consistiu na realização de 2000 entrevistas, a indivíduos entre os 15 e 65 anos residentes em Portugal Continental, que são uma amostra representativa da população Portuguesa.

- As reportagens centram-se nas dificuldades do autor nos supermercados e restaurantes convencionais. É pena que não sejam relatadas com o mesmo ênfase as experiências positivas. Forçar refeições veganas num restaurante convencional, simplesmente eliminando ingredientes, não é certamente a escolha mais perspicaz.

- O "cabaz vegetariano" está longe de ser o cabaz típico de um vegano. Por exemplo, a maioria das marcas bolachas de água e sal no mercado são veganas, não há qualquer justificação lógica para o preço ser diferente em cada cabaz. As fontes proteicas apresentadas também incluíam ingredientes mais caros, como o tofu e seitan, e não soja texturizada ou leguminosas, bem menos dispendiosas do que a carne ou peixe. Ser vegetariano está longe de ser mais caro, basta pensar que a base desta alimentação é fruta, legumes, leguminosas e cereais, alimentos de baixo custo.

- Como todas as transições ou mudanças significativas no estilo de vida ou hábitos alimentares, a transição para o Vegetarianismo requer alguma informação, a qual deve ser obtida a partir de fontes fidedignas e fiáveis. Esta está disponível gratuitamente, designadamente na Internet, salientando-se a nível nacional o CentroVegetariano.org, e a nível internacional sites de referência como o do Physicians Committee for a Responsible Medicine, ou a posição da American Dietetic Association e Dietitians of Canada. Curioso é que, dos contactos que o repórter fez com o Centro Vegetariano, que lhe forneceu uma grande quantidade de informação, contactos e referências, nos parece que terá efectuado um bom trabalho de pesquisa. Infelizmente, esta pesquisa foi totalmente deixada de lado em favor de artigos sensacionalistas e de credibilidade jornalística duvidosa, que em nada dignificam o bom nome que a revista Visão e a SIC têm vindo a consolidar ao longo dos anos.

Assim, e em nome do rigor, da qualidade informativa e do bom jornalismo, que esperamos sejam motes das vossas revista e estação de televisão, sugerimos que colmatem as lacunas, ou pelo menos informem sobre o que por ora apontamos.
Sem mais, subscrevemo-nos com a mais elevada consideração.

Em nome do Centro Vegetariano,

António Paiva, Médico
José Ramos, Médico



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ASSOCIAÇÃO ANIMAL:

(...)

Na “Reportagem Especial” do “Jornal da Noite” do Domingo passado, a SIC superou-se, em colaboração com a “Visão” (também do grupo Edimpresa). Numa reportagem intitulada “100% Vegetal”, um jornalista da revista “Visão”, em colaboração com repórteres da SIC, decidiu fazer a experiência de adoptar um regime integralmente vegetariano (vegano) durante dois meses para reportá-la num trabalho que seria, supostamente, de jornalismo (ver artigo em http://clix.visao.pt/Actualidade/Sociedade/Pages/vegetariano.aspx). Sem nunca salientar quais os motivos éticos que levam muitos milhões de pessoas por todo o mundo a terem uma dieta vegana e quais são os benefícios ecológicos do veganismo (recentemente reconhecidos por um relatório da Food and Agriculture Organization da ONU que revelou que a actividade pecuária mundial tem consequências ambientais devastadoras e que é a principal causa das alterações climáticas, tendo-se concluído do mesmo relatório que a adopção de uma dieta vegana é ainda mais urgente, importante e mais positivamente impactante para o equilíbrio ecológico da Terra do que evitar o uso dos automóveis, por exemplo), os jornalistas que fizeram esta reportagem não se limitaram a omitir estes dados tão importantes.

 

Nesta reportagem, que acabou por não ser mais do que uma peça de desinformação, sem esconder o seu gosto por carne e por alimentos animais e o seu desgosto por “ter” que se alimentar apenas de alimentos vegetais durante dois meses (o que logo o denunciou como a pessoa errada, dado o preconceito, para uma reportagem séria e imparcial sobre o tema), o jornalista João Luz esqueceu-se convenientemente de consultar um/a dietista ou nutricionista que estivesse em condições de o orientar adequadamente neste processo. Ao invés disso, foi (des)orientado pela endocrinologista Isabel do Carmo – que também confessou durante a reportagem, sem qualquer pudor, o seu preconceito contra uma dieta vegana, que logo se percebeu que radica em desinformação e impreparação. Inacreditavelmente, esta médica não informou João Luz de que não seria indicado passar, de um dia para o outro, de uma dieta que inclui o consumo de vários produtos de origem animal para uma dieta integralmente vegetariana, sendo sempre aconselhável haver uma transição, ainda que esta possa ser rápida, que passe pelo ovo-lacto-vegetarianismo ou, pelo menos, pelo ovo-vegetarianismo (embora haja muitas pessoas que se tornam veganas sem passar pelo vegetarianismo que admite o consumo de alguns alimentos de origem animal e que não sofrem qualquer alteração negativa daí resultante – antes pelo contrário). Além do mais, a mesma médica não lhe deu quaisquer indicações sérias, correctas e úteis sobre o que João Luz deveria procurar comer para poder ser vegano de forma saudável e, até, tendo gosto nisso. É que os veganos também apreciam ter gosto naquilo que comem, ao contrário do que se possa pensar, e uma dieta vegana pode e deve ser rica em experiências deliciosas – ao mesmo tempo que éticas, porque não implicam a morte de nenhum animal, e de longe mais saudáveis, porque recusam a ingestão de produtos animais que tão intimamente estão associados a diversos tipos de cancro, à osteoporose, ao colesterol elevado, a doenças cardíacas e respiratórias, a alergias alimentares, etc. Sendo que todos estes factos, mais do que comprovados tanto cientificamente quanto por inúmeras experiências de milhões de pessoas por todo o mundo, foram convenientemente omitidos nesta reportagem, nomeadamente por Isabel do Carmo, que, ou não os conhece ou prefere não os conhecer, o que em ambos os casos nada abona acerca da sua capacidade profissional. Na verdade, esta médica chegou mesmo a dizer que os veganos são pessoas muito paradas, passivas e não reactivas dada a falta de proteína animal – que, segundo a mesma, será de melhor qualidade e é mais forte do que a proteína vegetal. Entre outros exemplos que se poderiam referir para contrapor a esta ideia tola, pode-se referir, desde logo, que os milhões de veganos que trabalham energicamente em defesa dos direitos dos animais por todo o mundo são habitualmente pessoas a quem não falta energia nem capacidade física ou intelectual – sendo-lhes conhecida e reconhecida a sua resistência e persistência no desenvolvimento das actividades que empreendem.

 

Acresce que, durante a reportagem, nunca foi entrevistada uma única pessoa vegana, o que seria fundamental para uma reportagem sobre o veganismo, mas foi entrevistada uma família macrobiótica, ou seja, não vegana, que não ilustrou, sequer superficialmente, o estilo de vida vegano. Seria cansativo referir todos os exemplos que a reportagem deu que fizeram com que fosse uma péssima reportagem. Certo é que qualquer pessoa não poderá deixar de lado a hipótese – que é apenas uma hipótese explicativa e não mais do que isso – desta reportagem ter, porventura, uma agenda deliberada ou acidental que, pelo que cedo se percebeu, de uma maneira ou de outra acabou por servir os interesses das indústrias que produzem e lucram com a carne, do peixe, dos ovos e do leite e que são indústrias que não estão obviamente preocupadas com a saúde humana – se estivessem, não existiriam.

 

É de notar que esta reportagem foi feita numa colaboração SIC/”Visão” e que estes são dois órgãos de informação experientes, com jornalistas experientes. Como se explica, então, que, numa reportagem grande sobre veganismo feita por estes dois órgãos informativos, se tenham sido cometidos todos os erros, falhas e omissões possíveis para se chegar à conclusão – ali perigosa mas (para alguns) convenientemente publicada e publicitada – de que o veganismo não é uma opção saudável? Terá sido mero azar? Terá sido acidental? Qualquer que seja a resposta, esta reportagem feriu a credibilidade jornalística de ambos os órgãos e dos jornalistas que nela participaram.

(...)




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PELOS ANIMAIS

Carta Aberta à SIC e à Visão

No dia 13 de Janeiro de 2008, a SIC transmitiu uma reportagem especial SIC/Visão intitulada "100% Vegetal", na qual foi veiculada uma ideia completamente distorcida e preconceituosa do vegetarianismo. Em resposta a esta peça "jornalística" que não fez mais do que desinformar, a Associação Pelos Animais enviou a Carta Aberta abaixo transcrita.

Porto, 14 de Janeiro de 2008

Ex.mas Senhoras e Ex.mos Senhores:

Foi com enorme perplexidade que assistimos à reportagem especial da SIC e da Visão denominada "100% Vegetal". É incrível como se promove a ignorância e o receio sob a capa do jornalismo.

Começa por não se compreender porque motivo a reportagem ignorou por completo a principal razão para alguém ser estritamente vegetariano (vegano): o respeito pelos animais e a vontade de não contribuir para que estes sofram desnecessariamente. Como é possível falar de uma dieta estritamente vegetariana sem nunca abordar a sua principal motivação?

Para confundir mais o público, foram-nos apresentados os hábitos alimentares de uma família macrobiótica que nem sequer é vegetariana, muito menos estritamente vegetariana. Terá sido mesmo este o exemplo mais próximo do vegetarianismo estrito que conseguiram arranjar?

Outro erro de casting (ou talvez não) foi a doutora Isabel do Carmo, endocrinologista e nutricionista que, por acaso, também é uma confessa opositora da dieta vegetariana e não perde uma oportunidade para criticar este regime alimentar.

O mínimo que se poderia esperar seria a presença de um nutricionista com conhecimentos sobre dietas vegetarianas que fornecesse algumas indicações úteis para uma dieta vegetariana equilibrada, ao invés de uma nutricionista que pouco ou nada percebe de vegetarianismo e que não se viu sequer fornecer nenhuma indicação sobre nutrição.

Sendo o assunto tão enfadonho, a SIC achou por bem tornar a reportagem um pouco mais espectacular, dando destaque supremo a umas análises clínicas sem nenhum valor científico, afirmando que as ditas análises "provavam tudo" e que os resultados eram "significativos e surpreendentes". Infelizmente, a única coisa que aqui há de significativo e surpreendente é o sensacionalismo e a completa ausência de rigor jornalístico.

Por um lado, é evidente que as análises de uma única pessoa apenas dois meses após uma mudança radical de dieta não têm nenhum valor científico. Por outro lado, o sujeito da experiência não fez, nem de longe, um planeamento adequado da sua nova dieta e, por conseguinte, não pode ser tomado como exemplo para coisa nenhuma. Em contraponto, a grande maioria dos vegetarianos estritos são pessoas conscientes que fazem um planeamento cuidado da sua dieta, o qual lhes permite uma obter uma nutrição adequada.

Hoje em dia, é consensual que as dietas vegetarianas (incluindo o vegetarianismo estrito) bem planeadas são perfeitamente apropriadas a todas as fases da vida, apresentando inclusive diversas vantagens relativamente à dieta omnívora. Quem o diz são próprias associações de nutricionistas do Reino Unido, dos Estados Unidos e do Canadá, por exemplo.

Solicitamos à SIC e à Visão que reponham, com o mesmo destaque que foi dado a esta pseudo-reportagem, a verdade dos factos sobre a dieta vegetariana, com recurso a informações fidedignas e não a opiniões preconceituosas e mal informadas.

Gratos pela atenção dispensada, subscrevemo-nos.

Atenciosamente,
Sónia Pinto Vieira
P'la Direcção da Associação Pelos Animais

Publicado quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008


« Última modificação: Janeiro 21, 2008, 02:44:38 por Earth First » Registado

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« Responder #3 em: Janeiro 21, 2008, 02:54:20 »

COMENTÁRIOS PÚBLICOS E GERAIS DE VÁRIAS PESSOAS (VEGETARIANAS E NÃO-VEGETARIANAS):

Poderá ver mais comentários em:
http://clix.visao.pt/Actualidade/Sociedade/Pages/vegetariano.aspx


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Veg
Reposição da verdade
domingo, 13 de Janeiro de 2008

A única forma de a SIC poder repor a verdade acerca deste assunto é logo, a seguir à reportagem, levar lá um nutricionista ou médico especializado em nutrição vegetariana para esclarecer os mal entendidos desta reportagem. Seria o mínimo exigível para que a estação continuasse com a credibilidade da sua informação. Proponho até que todos os que sentem o mesmo que enviem um mail à direcção da SIC a pedir isto mesmo. Pode ser que o director de informação tenha esse bom senso e respeito pelos vegetarianos.



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Cristina Marques
O meu exemplo...
quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

:-) Sou vegetariana há 25 anos, sou saudável, faço análises regularmente, até já fiz pesquisa das reservas de vit.B13 e de ferro e deu tudo normal... como em tudo é necessário SABER, e esse jornalista obviamente não sabia o que comer, como conjugar os alimentos de modo a não ter carências. E depois, para se tornar notícia e vender a revista há que "mostar sangue"... é isso que chama a atenção... QUE NINGUÉM SE DEIXE ILUDIR.


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Domingos Sebastiao
Preconceitos e erros sob a capa de pseudo-ciência
domingo, 13 de Janeiro de 2008

Acabei de ler o artigo "Eu, Vegetariano" e fiquei chocado com a falta de verdade e isenção que deveria ter norteado um artigo deste tipo. Até á data sempre considerei a Visão como um exemplo de jornalismo exemplar, mas este artigo fica muito aquém daquilo que é de esperar de uma reportagem isenta e capaz de informar e educar. Aliás, a minha opinião é que faz exactamente o oposto, isto é desinforma, como passo a demonstrar. Antes de mais, devo dizer que tenho 44 anos, sou médico quase 20 anos (licenciado pela Faculdade de Medicina de Lisboa) e (semi-)vegetariano há cerca de 26 anos. Assim, aponto como principais falhas graves no artigo as seguintes: - a base da experiência é logo à partida, errada; como o jornalista deixa claro ao longo de todo o artigo, este tipo de escolha alimentar foi-lhe frequentemente desagradável, o que não acontece com a maioria das pessoas que se tornam e que se mantêm vegetarianas; como o bom senso, e felizmente alguns estudos cientificos recentes, têm demonstrado, uma experiência que nos é desagradável terá certamente efeitos nefastos emocionais e físicos; - mais do que uma experiência isolada e algo desiquilibrada, pelo que posso constatar no artigo, uma reportagem deste tipo deveria ter informado, ou pelo menos citado, sobre os resultados dos grandes estudos epidemiológicos (ou seja estudos populacionais que seguem vários milhares de pessoas durante vários anos) e que constataram uma importante diminuição da incidência e mortalidade de múltiplas doenças como doença cardíaca isquémica, colesterol elevado, cancro de várias localizações como cólon, próstata e mama entre outros (um excelente resumo está em pcrm.org/health/veginfo/vegetarian_foods.html) - as mais prestigiadas organizações profissionais médicas (ex. Escola de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Harvard) e nutricionais (ex. Associação Dietética Americana) reconhecem a alimentação vegetariana como uma opção saudável que deve ser encorajada pelo seu potencial beneficio para a saúde por diminuir muitos dos factores de risco associados com as doenças mais importantes dos países ocidentais (ver eatright.org/ada/files/vegnp.pdf) - a maioria das refeições indicada na reportagem estava claramente desiquilibrada (batatas fritas, bóculos e feijão não são uma refeição equilibrada em parte nenhuma do mundo) e frases como "...a soja, passou a ser a base da minha alimentação" ilustram claramente este facto, bem como reforça um dos mais errados preconceitos associados ao vegetarianismo. - Os comentários da Profª Isabel do Carmo são errados e visam assustar, citando doenças e estados de carências que não são verdadeiros, ilustrando um desconhecimento preconceituoso. É dado muito pouco destaque ao facto das análises se encontrarem dentro dos valores normais e que as pequenas diferenças encontradas não têm significado clínico real (exemplo claro é a descida do ácido fólico apesar do jornalista ter feito aparentemente um maior consumo de alimentos ricos neste nutriente como é o caso dos legumes); - a descida do colesterol não é valorizada, quando de facto o deveria ser porque de todos os parametros citados é o mais importante factor de risco cardio-vascular e a descida ocorrida representa uma importante redução no risco de doenças como enfartes do miocárdio. Muitas mais falhas e erros poderiam ser apontados, por uma questão de brevidade fico-me por aqueles que considero mais graves. Espero que num futuro próximo a Visão faça um esforço de reposição da verdade sobre este assunto.


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CONC
falta de profissionalismo
terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Incrivel como duas pessoas que se dizem profissionais se propoem fazer uma reportagem sobre um assunto denotando tanta falta de conhecimento sobre o mesmo. Sou omnívora e tendo poucos conhecimentos sobre o assunto não foi dificil detectar a falta de rigor e conhecimento sobre o assunto da reportagem. Acho que a Sic e a Visão, meios de comunicação credíveis como são, deveriam fazer outra reportagem com profissionais ou pessoas conhecedoras do assunto, pois o assunto "SAÚDE" é demasiado importante para ser tratado de forma tão leviana.



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Vanda
Absolutamente vergonhoso!
quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Ao ler este artigo só me consegue ocorrer a palavra "obscenidade".. Lamento que uma revista conceituada como é a Visão se disponha a promover e a editar algo assim! É um artigo difamatório, que desinforma e confunde mais a já de si confundida e mal informada sociedade portuguesa, que mistura o conceito de alimentação diferente da norma com aberração (aliás as diferenças são por norma ostracizadas). O jornalista não tem a preocupação de se informar, não consulta nem recolhe a opinião de um nutricionista no mínimo isento, ao contrário da tendenciosa pseudo-informada médica da velha escola, que nem se preocupa em avaliar o que falhou na dieta do jornalista, nem enaltece os valores que nas análises tiveram melhoria. Chama vegetarianismo ao veganismo, que são dois conceitos diferentes, faz um sacrifício tremendo e "passa fome", esquecendo-se que quem opta pelo vegetarianismo o faz por questões éticas e por convicções profundas e que é vegetariano/ vegano com todo o prazer e orgulho! Torna-se vegano de um dia para o outro, fazendo refeições desequilibradas, sensaboronas e pobres, sem qualquer imaginação culinária (e a comida vegetariana é um festival de sabores e cheiros - vejam só o que ele está a perder!)... Sou ovo-lacto-vegetariana há 3 anos e nunca me senti tão bem, nunca as minhas digestões foram tão boas, nunca me senti tão em comunhão com a natureza... mas, como a maioria de nós, tenho sido confrontada com o preconceito e a ignorância e esta reportagem originou a situação de ter sido interpelada por vários omnívoros com aquela postura tipo "vês? vês? eu tinha razão". E agora nós que desmitifiquemos a confusão ainda maior que este senhor, "vegano desinformado e à força" (que contrasenso)nos arranjou! Em relação a uma percentagem considerável da classe médica, que deveria estar bem informada, passo-vos a contar o seguinte: recentemente estive internada com um problema de saúde que nada teve a ver com alimentação (dificil foi convencer algumas pessoas disso!!). No hospital era "o exemplar raro da enfermaria", até me chamavam a vegetariana e não foram poucos os médicos e enfermeiros que reagiam negativamente e até inclusivamente criticavam a minha opção alimentar, tendo-me até uma médica dito para eu considerar seriamente a hipótese de voltar a consumir carne e peixe, que era mais saudável (!!!). Respondi-lhe que estava completamente fora de questão! Isto não é jornalismo, é uma campanha difamatória, preferindo eu pensar que não está a ser manipulada por dúbios interesses...


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Inês
Que vergonha :S
terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Boa tarde! Depois de ver a grande reportagem da sic relativa ao vegetarianismo posso dizer que me sinto deveras irritada (algo que não é comum para alguém que não come animais nem absorve as suas toxinas). A imagem que passaram do vegetarianismo foi muito negativa o que é lamentável... 1º - a médica (que deve ter vindo directamente do paleolitico) com certeza que teve uma escola de medicina clássica que se encontra completamente ultrapassada, o que se pode verificar numa total ignorância no que toca ao vegetarianismo, sendo que desde o início da reportagem se refere ao vegetarianismo como algo nocivo e não o contrário. Visto que nem percebe nada do que diz, ainda inventa termos, o que até me deu para rir um pouco... adiante. 2º - O rapazito já antes de se tornar vegetariano (durante 2 meses) deveria comer mal pois pelo que vi, não sabe cozinhar :\ O primeiro prato foi massa com cogumelos, algo que eu, vegetariana, vomitaria de seguida BLHEEERGH. E realmente vêem-se muitas sopas e pãezinhos, saladas, mas tofu, soja e seitan que são as bases da alimentação vegetariana, parece que foram esquecidos, vá-se lá saber porquê o_O A soja é uma fonte d proteínas essencial para este tipo de alimentação. É claro que os resultados dos exames foram o que se viu, se o rapaz não sabe fazer refeições vegetarianas sólidas, é normal que fique anémico! 3º - O casal macrobiótico é o outro EXTREMO. E macrobiótica não é vegetarianismo!!! E o vegetarianismo não obriga a uma alimentação sensaborona, é até bastante gulosa para quem a sabe confeccionar. Conclusão: Com tudo isto, conseguiram passar uma imagem completamente deturpada do que é ser vegan ou vegetariano. Sou vegetariana há anos e nunca me senti melhor na minha vida. Grande parte dos meus amigos, já mais velhos que eu, não comem animais há mais de 14 anos e são extremamente saudáveis. Sinto-me envergonhada pela vossa ignorância, deveriam ter estudado melhor a lição antes de se porem a inventar uma GRANDE REPORTAGEM sobre vegetarianismo que, na relidade, mais me pareceu REPORTAGEM MIXURUCA. Com toda a sinceridade! Inês



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laura
Preconceitos
terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Em primeiro lugar parece-me que esta reportagem partiu de duas pessoas com alguns preconceitos em relação à alimentação vegetariana. Preconceitos esses que são reveladores do provincianismo em que infelizmente ainda se vive neste país. Em Inglaterra, por exemplo, onde uma boa parte da população segue uma alimentação vegetariana, não há um único restaurante - desde casas de hamburgueres, passando por todo o tipo de pubs, até aos restaurantes de luxo- onde lhes passe pela cabeça não terem pelo menos uma alternativa vegetariana decente. Não apenas uma salada ou uma omelete que, obviamente não alimentam nem satisfazem ninguém. Em segundo lugar, é óbvio que uma alimentação vegetariana que não seja cuidada, pode comportar alguns riscos para a saúde. O que pergunto é se as pessoas que comem carne e peixe estão isentas de riscos? Claro que não! E entre o risco de ter uma anemia, para quem não tenha qualquer tipo de cuidado e se alimente de saladas (o que é uma péssima representação desta alimentação!), não será mais perigoso o risco de desenvolver todo o tipo de problemas cardiovasculares a que estão sujeitas as pessoas que comem carne com regularidade?! Em terceiro lugar, gostaria de relembrar a Dr. Isabel do Carmo que as pessoas que aparecem no seu consultório, terão à partida algum problema de saúde como é óbvio, mas existem com toda a certeza muitos mais vegatarianos saudáveis que nunca a procurarão, justamente porque não precisam dos seus serviços. Eu própria sou ovo-lacto-vegetariana há 12 anos, já fiz várias análises neste período (muitas motivadas justamente pelo preconceito dos médicos)e nunca em nenhuma delas houve um único valor que estivesse abaixo daquilo que é considerado saudável.


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Nuno Faria
Sou ovo-lacto-vegeteriano há 10 anos.
terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Sou ovo-lacto-vegetariano há mais 10 anos e sempre que faço análises tenho os níveis absolutamente normais. Não tenho qualquer preocupação alimentar a não ser a de não comer animais. Como soja, tofu e seitan regularmente mas não religiosamente. A reportagem deu a entender que este tipo de dieta seria prejudicial a longo prazo o que é totalmente falso. O repórter abordou o assunto com leviandade dando mais ênfase à brincadeira com os amigos e os sacríficios de desgustação. A opção de deixar de comer carne, peixe e outros animais não é leviana e está relacionado com uma filosofia de vida que pelos vistos não optou por explorar na reportagem. Ai coitadinhos de nós que nos restaurantes sofremos e somos limitados... Por isso é que temos direito de escolha e boca. Posso escolher não ir a determinados locais como o McDonalds e entrar num restaurante típico Português e pedir em função dos restantes pratos do menu como quero o meu. Não faz sentido o tipo de reportagem que fez. Foi tinta para encher papel. Mas a culpa não é do repórter. É da gestão editorial.


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Irina
Doutora da banha da cobra
quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Muita gente tem atacado o João Luz, mas ele diz bem claramente na sua reportagem que não pretendeu discutir as grandes questões do vegetarianismo/veganismo, apenas contar a sua experiência. Desse ponto de vista, não fiquei nada escandalizada com a história. O único factor perturbante é a inclusão desta drª Isabel Carmo na história, senhora que frequentemente aparece na televisão a denegrir os vegetarianos/veganos com mentiras descaradas decorrentes dos seus preconceitos contra uma realidade que claramente desconhece. Caro João Luz, porque raio foi falar com esta senhora em vez de com alguém no mínimo imparcial sobre esta questão? o ideal mesmo seria ter falado com um nutricionista esclarecido que em vez de preconceitos tivesse verdadeiro conhecimento das vantagens destas dietas e o ajudasse a levar esta experiência da forma mais agradável possível em vez de o assustar com receios infundados. O meu médico também era ignorante sobre esta dieta e por isso deixei de o visitar por 5 anos quando decidi adoptá-la, para não ter que o ouvir (mas acima de tudo porque não precisei dele). Quando lá voltei para um check-up ele augurou que eu deveria necessitar de muitos suplementos para recuperar das "carências" de que certamente eu deveria estar a sofrer. Mas não, estava óptima, melhor do que alguma vez tinha estado e ele encolheu os ombros. Nunca mais lá voltei. Moral da história: os "doutores" são possivelmente as pessoas que menos percebem de saúde e nutrição e é raro encontrar algum que seja minimamente esclarecido nestes assuntos, por isso não lhes dêem ouvidos, vejam os factos, as estatísticas e os estudos científicos sérios sobre a saúde dos vegetarianos/veganos. Ser omnívoro significa que estamos adaptados a sobreviver alimentando-nos de qualquer tipo de alimento e não de que somos obrigados a comer de tudo para sobreviver. Em tempos idos o que comíamos dependia da disponibilidade de alimentos, hoje só depende da nossa consciência ética e ecológica.



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Mary
Quer saber alguma coisa do assunto realmente?
sábado, 19 de Janeiro de 2008

É exasperante estar-se no sec. XXI com tanta informação acessível por todo o lado e ainda existirem "profissionais" da saúde e jornalistas a fazerem trabalhos abaixo de escola primária como se não possuíssem quaisquer recursos para pesquisar sobre o trabalho de casa e como se estivessem desligados do mundo. Não entendo. Mudei a minha alimentação há 17 ou 18 anos atrás quando o tico e o teco começaram a libertar-se de preconceitos e tensões culturais, familiares e sociais e comecei a seguir os princípios que para mim me começaram a ser os mais lógicos à face da Terra. 1) Se posso viver sem matar, causar sofrimento e derramar sangue porque o hei-de fazer? Ainda não tive qualquer resposta que me convencesse do contrário. 2) Depois ainda existem todas as questões relacionadas com a saúde, nomeadamente a mais básica: se abolindo o consumo de tudo o que seja de origem animal tenho muito mais energia, saúde e ainda posso evitar ou curar doenças, então porque é que não hei-de mudar? 3) Ou as questões ambientais que nunca mais acabam. É absolutamente insustentável para o planeta em que vivemos continuar-se a violar a vida e a expropriar recursos para a "indústria" animal. Quem quiser informar-se com cabeça, tronco e membros, a pensar por si próprio e honrar a vida consulte quem saiba do assunto, de preferência em primeira mão: leia, participe em cursos, conheça vegetarianos ou veganos, experimente... Saia do quadrado, liberte-se e liberte o mundo em que vivemos do inferno a que tem estado condenado por responsabilidade deste vírus chamado "humanidade" que só sabe aprisionar, violar e destruir o paraíso que nos foi a todos nós e outros seres entregue. Ame a vida contribuindo efectivamente para transformar a realidade que nos rodeia numa realidade melhor, mais construtiva e respeitadora do próximo, ande este em 2 ou 4 patas, nade ou voe. NA INTERNET EXISTEM INCONTÁVEIS FONTES DE INFORMAÇÃO. ALGUNS EXEMPLOS PARA COMEÇAR: (1)www.avp.org.pt (2) www.sejavegetariano.org (3) www.animal.org.pt (4) www.infonature.org (5) www.peta.org (6) www.goveg.org



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Pedro Morais
Especial Informação “100% Vegetal" - 20/01/2008
segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Como o diz o ditado popular: “o que começa mal, tarde ou nunca se endireita”. A uma reportagem menos que medíocre seguiu-se um debate enviesado, menos que superficial e a milhas de ser sério. Houve sim um aglomerado de ideias “apáticas”, quiçá em jeito de apenas ironia por excesso e não falta de Vitamina B12, sobrepostas à boa educação de uma nutricionista que não obstante ser constantemente interrompida e ouvir certas alarvidades ditas científicas conseguiu manter a postura. Talvez não habituada a tanto preconceito junto, a nutricionista não soube contrapor em escassos minutos de antena (provavelmente menos que 5 minutos num Especial Informação de uma hora) todos os argumentos falaciosos apresentados pela Dra. Isabel de Carmo. E chamar-lhes de falaciosos é certamente um eufemismo. Após a pergunta ao jornalista da Visão sobre que comentário lhe merecia os argumentos éticos a favor do vegetarianismo, este afirmou que respeitava mas que não lhe merecia nenhum comentário. Como forma de apurar o espírito crítico deste jornalista, sugeria-lhe o web-site http://www.goveg.com/theissues.asp que tenta responder à pergunta “porque deve considerar adoptar uma dieta vegetariana?”. Apenas duas citações do website sugerido: According to a recent report by Compassion in World Framing, "[c]rops that could be used to feed the hungry are instead being used to fatten animals raised for food." It takes up to 16 pounds of grain to produce just 1 pound of edible animal flesh. If this trend continues, the developing world will never be able to produce enough food to feed itself, and global hunger will continue to plague hundreds of millions of people around the globe. The Guardian explains that there's only one solution: "It now seems plain that [a vegan diet] is the only ethical response to what is arguably the world's most urgent social justice issue." Pedro Morais, Lacto vegetariano há 22 dias, mas ainda não demente



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Ines Martins
Ignorância e preconceito
segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Devo dizer que esta reportagem me desiludiu bastante quando comparada com a qualidade da VISAO. Peço desculpa se estou enganada mas era óbvio que a experiência nao ia correr bem, por varios motivos: 1º as motivaçoes do reporter eram as piores, era apenas por experiencia, nenhuma razao forte estava por detras da decisao, o que levaria a falta de vontade; 2º uma dieta vegetariana nao tem que ser tao "basica", ha muitos produtos saborosos que a maior parte das pessoas desconhece e que o reporter nao se deu ao trabalho de informar; 3º devia ter consultado um nutricionista de forma a que a alimentaçao fosse equilibrada, com vista a consumir todos os nutrientes necessarios ao ser humano, pois nao é necessario comer alimentos de origem animal para ter tudo o que é necessario. Para alem disto, achei que as 'bocas de gozo' ouvidas ao longo dos 2 meses fossem de todo importantes, ha que ter uma personalidade forte que se sobreponha a todas essas opinioes sem fundamento. Eu acho que uma dieta vegetariana nao é apenas uma dieta mais limitada do que uma dieta carnivora, isto porque, supostamente, um vegetariano descobre imensas variedades na comida 100% vegetal que ate aí desconhecia. Nao gostei da reportagem tambem por outro motivo: esta leva a qualquer pessoa que nao esta dentro do assunto a rejeitar uma dieta vegetariana/vegana desde logo. Devo salientar (coisa que os jornalistas nao fizeram) que existem motivos éticos que levam muitos milhões de pessoas por todo o mundo a terem uma dieta vegana e beneficios ecologicos (recentemente reconhecidos por um relatório da Food and Agriculture Organization da ONU que revelou que a actividade pecuária mundial tem consequências ambientais devastadoras e que é a principal causa das alterações climáticas, tendo-se concluído do mesmo relatório que a adopção de uma dieta vegana é ainda mais urgente, importante e mais positivamente impactante para o equilíbrio ecológico da Terra do que evitar o uso dos automóveis, por exemplo).
« Última modificação: Janeiro 22, 2008, 01:30:07 por Earth First » Registado

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« Responder #4 em: Janeiro 23, 2008, 01:49:55 »



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NOVIDADES ACERCA DA REPORTAGEM
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ASSOCIAÇÃO PELOS ANIMAIS FAZEM QUEIXA DA SIC E DA ISABEL DO CARMO

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Na sequência da falha da SIC na sua obrigação de repor a verdade
jornalística sobre as dietas vegetarianas, a Associação Pelos Animais já
remeteu uma queixa à Entidade Reguladora Para a Comunicação Social.

Não menos graves foram os renovados ataques da Dr.ª Isabel do Carmo à
dieta vegetariana e aos vegetarianos, motivo pelo qual a Associação
Pelos Animais remeteu uma queixa à Ordem dos Médicos. Mais informações
(incluindo os vídeos da reportagem e do debate) na página abaixo:

http://www.pelosanimais.org.pt/blogue/100_vegetal




“100% Vegetal” Continua a Ser Motivo de Polémica

No seguimento das inúmeras queixas recebidas pela SIC e pela Visão a respeito da reportagem 100% Vegetal, a SIC tentou lavar a cara com a retransmissão da reportagem na SIC Notícias, seguida de um debate.

Se é difícil compreender o porquê da repetição de uma reportagem sem nenhum valor jornalístico e que apenas desinforma o público, tão-pouco se compreende que a Dr.ª Isabel do Carmo, pessoa sem nenhuma idoneidade para falar sobre dietas vegetarianas, tenha sido convidada para o debate. Felizmente, nem tudo foi mau e há que destacar a presença da nutricionista Dr.ª Madalena Muñoz, que muito bem informou acerca das dietas vegetarianas e fez o melhor que era possível fazer para rebater os ataques ilógicos feitos pela Dr.ª Isabel do Carmo.

Claro que este debate não veio de forma nenhuma remediar os danos da reportagem original. Por um lado, o debate foi visto apenas por uma fracção ínfima dos espectadores que assistiram à reportagem original e, por outro lado, foi dada novamente voz à Dr.ª Isabel do Carmo para reforçar o seu ataque às dietas vegetarianas e aos vegetarianos. Nestas condições, é evidente que a SIC falhou na sua obrigação de repor a verdade jornalística, pelo que a Associação Pelos Animais já remeteu uma queixa contra a SIC à Entidade Reguladora Para a Comunicação Social. Não menos graves foram os ataques da Dr.ª Isabel do Carmo à dieta vegetariana e aos vegetarianos, que já são recorrentes, motivo pelo qual a Associação Pelos Animais enviou à Ordem dos Médicos a queixa que abaixo se transcreve.


Queixa Enviada à Ordem dos Médicos

    Assunto: Falhas Deontológicas Graves da Dr.ª Isabel do Carmo


    A Dr.ª Maria Isabel Augusta Cortes do Carmo, médica especialista em Endocrinologia e Nutrição, tem atacado recorrentemente a dieta vegetariana de todas as formas possíveis e imaginárias nos meios de comunicação social, numa posição desrespeituosa, agressiva e insultuosa para com os vegetarianos, desconsiderando por completo a profissão que exerce e o vasto público que a escuta.

    Se a Sr.ª Dr.ª Isabel do Carmo não aprecia a dieta vegetariana nem os vegetarianos, está no seu direito e tem certamente toda a liberdade para exprimir as suas opiniões. Aquilo que não é de todo admissível é que, aproveitando-se da sua projecção mediática, venha para a praça pública proclamar enormidades acerca da dieta vegetariana e insultar os vegetarianos na qualidade de médica especialista. Não sabemos o que move a Dr.ª Isabel do Carmo nesta cruzada contra o vegetarianismo, mas é notório que não é o interesse da população, pois os seus argumentos nada têm de científico ou informativo. Pelo contrário, as suas intervenções apenas promovem o obscurantismo e o preconceito.

    Ninguém nega que existem muitas potenciais carências numa dieta vegetariana que não seja convenientemente planeada, tal como existem muitas potenciais carências em qualquer outra dieta que não seja equilibrada. A Dr.ª Isabel do Carmo tem toda a liberdade para falar nessas potenciais carências, se assim o entender. Aquilo que não se lhe admite é que fale de possibilidades como se de factos se tratassem, ao mesmo tempo que insulta sub-repticiamente os vegetarianos e sugere que todos eles têm carências nutricionais que os tornam apáticos, irritadiços ou até dementes.

    Muito convenientemente, a Dr.ª Isabel do Carmo ignora por completo os diversos estudos que têm demonstrado em consonância as vantagens das dietas vegetarianas e que estas dietas são perfeitamente adequadas para todas as fases da vida humana. Segundo a Associação Americana de Nutrição e também segundo a associação Nutricionistas do Canadá, as dietas vegetarianas oferecem várias vantagens nutricionais, incluindo: níveis mais baixos de gordura saturada, de colesterol e de proteína animal, bem como níveis mais elevados de hidratos de carbono, de fibra, de magnésio, de potássio, de ácido fólico e de antioxidantes como, por exemplo, vitaminas C e E e fitoquímicos. Os estudos têm mostrado que os vegetarianos têm índices de massa corporal inferiores aos dos não-vegetarianos, bem como taxas mais reduzidas de morte por doença isquémica do coração; os vegetarianos também apresentam níveis inferiores de colesterol no sangue, tensão arterial mais baixa, bem como menores taxas de hipertensão, de diabetes do tipo II e de cancro do cólon e da próstata.1

    Passamos agora a transcrever e comentar algumas das afirmações proferidas pela Dr.ª Isabel do Carmo num debate sobre vegetarianismo emitido pela SIC Notícias, no passado dia 20 de Janeiro de 2007 e repetido no dia seguinte.

    A Dr.ª Isabel do Carmo afirma que “uma pessoa que faça uma alimentação estritamente vegetariana não está a ingerir vitamina B12”. Esta afirmação é uma falácia e pretende sugerir que a vitamina B12 é de origem animal, quando, na verdade, a B12 é produzida por microorganismos. A maioria dos vegetarianos tem perfeita consciência da importância da vitamina B12 e ingere-a por meio de alimentos enriquecidos ou de suplementos.

    A Dr.ª Isabel do Carmo afirma que “o zinco está presente nos frutos secos, isso está, mas quando nós vamos ver a quantidade de frutos secos que terá a quantidade de zinco que tem, por exemplo, uma peça de carne ou outro produto vegetal, era preciso que comêssemos uma tigela inteira de frutos secos”. Com esta afirmação, a Dr.ª Isabel do Carmo pretende sugerir que é impossível aos vegetarianos obterem a quantidade necessária de zinco, a menos que comessem uma tigela inteira de frutos secos, o que seria impraticável. Trata-se, mais uma vez, de uma afirmação completamente infundada destinada apenas a desinformar a população em geral. Na verdade, os estudos demonstram precisamente o contrário: as dietas vegetarianas bem planeadas conseguem satisfazer facilmente as necessidades de zinco, contendo geralmente quantidades adequadas deste mineral que se pode encontrar em legumes, cereais e frutos secos.2, 3

    A Dr.ª Isabel do Carmo afirma acreditar que existe “uma relação causa/efeito entre uma dieta vegetariana e uma maior irritabilidade” e que "tem visto estudos nesse sentido". Obviamente, é mais uma afirmação sem qualquer fundamento científico, cujo único intuito é insultar e provocar os vegetarianos.

    Confrontada com o facto de que é certo e sabido que a B12 é fundamental e que os vegetarianos a conseguem obter de forma facílima por meio de alimentos enriquecidos ou suplementos, a Dr.ª Isabel do Carmo afirma que “comprar ao balcão, embalado e comercializado, elementos que existem à sua volta na natureza, isto é uma verdadeira distorção da natureza humana”. Ficamos, portanto, a saber que as pessoas que optam por obter vitamina B12 sem causar a morte e sofrimento a animais estão a distorcer a natureza humana — a forma “humana” de obter B12 será, na opinião da Dr.ª Isabel do Carmo, matar os animais que estão na natureza e comê-los logo ali. Mais uma afirmação absurda sem nada de científico nem de humano, que desrespeita todas as pessoas compassivas.

    Naquilo que só poderá ser classificado como uma tentativa desesperada de semear o medo quanto à dieta vegetariana, a Dr.ª Isabel do Carmo sugere ainda que toda a soja que os vegetarianos consomem é transgénica. Trata-se de uma afirmação completamente falsa, já que é obrigatória a rotulagem de todos os produtos transgénicos à venda em Portugal e praticamente todos os produtos de soja para alimentação humana em Portugal são de soja não-transgénica. Por outro lado, a Dr.ª Isabel do Carmo certamente não desconhece que a esmagadora maioria da soja e milho transgénicos são utilizados precisamente nas rações para animais e que é quem consome animais que está, muito provavelmente, a consumir indirectamente alimentos transgénicos.

    Ao longo dos anos, têm sido claras as violação do Código de Deontologia Médica por parte da Dr.ª Isabel do Carmo, nomeadamente do artigo 12.º, «Em todas as circunstâncias deve o Médico ter comportamento público e profissional adequado à dignidade da sua profissão.»; do número 1 do artigo 41.º, «O Médico deve respeitar escrupulosamente as opções religiosas, filosóficas ou ideológicas e os interesses legítimos do doente.»; e, evidentemente, do número 1 do artigo 11.º do Regulamento Geral Sobre Publicidade, Divulgação e Expressão de Actividade Médica, «As informações médicas a fornecer devem ser objectivas e correctas do ponto de vista técnico, de acordo com os conhecimentos do momento e devem ter por fim a promoção da educação sanitária da população».

    Faça ao exposto, solicitamos à Ordem dos Médicos que sejam aplicadas à Dr.ª Isabel do Carmo as sanções disciplinares adequadas para que estas situações vergonhosas para toda a classe médica e insultuosas para todos os vegetarianos não se tornem a repetir.

       1. Mangels AR, Messina V, Melina V. Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian diets. J Am Diet Assoc 2003; 103:748-65.
       2. Messina V, Burke K. Position of American Dietetic Association: Vegetarian diets. J Am Diet Assoc 1997; 97:1317-21.
       3. Freeland-Graves JH, Bodzy PW, Eppright MA. Zinc status of vegetarians. J Am Diet Assoc 1980; 77:655-61.

Publicado quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008


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« Responder #5 em: Janeiro 24, 2008, 02:52:35 »

Eu prefiro comida vegetariana a qualquer outra mas no entanto não consigo ser vegetariano ou ovo-lacto-vegetariano na medida em que o meu colesterol é por natureza muito baixo.
E ainda por cima sou alérgico a alguns alimentos de origem vegetal como é o caso de ervilhas, algumas leguminosas e frutos secos. E também não posso beber leite por causa da lactose e comer claras de ovos apesar de serem de origem animal. Já sei que pareço hipocondríaco, mas é verdade.

É verdade que posso encontrar gorduras saturadas em alimentos vegetais, mas não se encontram concentradas da mesma forma como na carne ou no peixe.
Para ser vegetariano teria que fazer um verdadeiro plano de engenharia alimentar além de que com todos os meus problemas seria limitar ainda mais as minhas opções alimentares. O que eu já tenho feito uma vida inteira.

Não podemos dizer que determinada alimentação é saudável quando somos todos diferentes e temos necessidades diferentes. É o mesmo que receitar o mesmo medicamento a toda a gente. Não há produtos maravilhas nem alimentações maravilhas.
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« Responder #6 em: Janeiro 24, 2008, 09:47:58 »

Olá o meu nome é Paulo Silva sou Ovo-Lacto-Vegetariano à 6 anos pratico SwáSthya Yôga  Smiley e conheço centenas de Vegetarianos de todas as idades, desde bebés a pessoas com mais idade e nunca vi um problema associado ao vegetarianismo Tongue. A minha namorada também é vegetariana e vamos ter um filho que já é vegetariano  Kiss

Quando se ouve comentar algum problema relacionado com o vegetarianismo, na realidade o problema não tem nada a ver com esse tipo de alimentação, não passa de um problema que qualquer pessoa não vegetariana pode ter. No entanto, como este tipo de alimentação tem as costas largas...

Sem dúvida alguma que foi um documentário com interesses económicos bastante fortes, pois actualmente o número de Pessoas que optam por este tipo de alimentação está a crescer muito e a descobrir o prazer e os benefícios de uma alimentação vegetariana saudável, atenção que esta para ser saudável também tem de ser equilibrada e rica em diversidade.

Baixe gratuitamente o livro Alimentação Vegetariana "Chega de abobrinha" do Autor DeRose
www.uni-yoga.org

ou então tenho o prazer de ter este mesmo livro nas suas mão,
www.yogaweb.com.pt

Beijos e Abraços! Kiss

Paulo Silva, 24 01 2008 - Fátima
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« Responder #7 em: Maio 01, 2008, 09:58:05 »


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Date: Thu, 1 May 2008 21:43:00 +0100

Boa noite,
Eu chamo-me Ana Priscila.
Estou a enviar este e-mail não como forma de protesto nem num tom negativo, apenas como um apelo.
Tive a infeliz ocasião de ver a reportágem que passaram do "eu vegetariano" e não pude ver a ultima que passaram mas pelo que
ouvi e li também não foi muito agradável, pelo menos não para aqueles que optam por esta alimentação, que mais do que uma maneira de comer torna-se também um estilo de vida, uma maneira diferente de ver o mundo.
Penso que como boa empresa, e pela boa televisão que passam, têm toda a capacidade de fazer uma abordagem deste e qualquer outro tema de forma correcta. O vegetarianismo é uma visão do mundo cada vez mais expandida e existem tantos especialistas, associações e milhões de pessoas dentro deste tema. É correcto que apresentem os contras, mas nunca sem apresentar os prós. Tudo na vida tem duas visões cabe-nos a nós ver pelo lado que queremos. Se uma pessoa quer informar sobre um tema tem que mostrar todas as visões possíveis. Só isso torna as pessoas aptas a escolherem, em vez de levarem uma vida segundo ideais e principios que lhes foram impingidos e tomaram como certos. Sabe-se que uma grande parte da população acredita no que passa na televisão, principalmente no telejornal. Que raio de população estamos a formar ao querermos influenciar as pessoas a serem ( ou neste caso a não serem) algo sem que estas optem pelo que acreditam ser o melhor. E claro que só podem optar estiverem informadas sobre o tema no seu Todo, e por parte de vários especialistas e de pessoas com experiência própria.
A população vegetariana é uma população com ideais claros, pacificos, e que apela apenas ao bem do planeta, do ambiente, da saúde, ao bem geral de tudo e de todos, é uma visão mais feliz e aberta do Mundo que quer apenas evoluir em termos de humanidade. Não me passa pela cabeça como é possível que alguem queira abolir este tipo de pensamento. Esta é sim uma causa a ser apoiada e a crescer. Tanto mal que o homem faz á Terra, á Biosfera, e até á sua própria espécie, e vemos os problemas enormes que temos hoje em dia principalmente por causa dos nossos actos e ainda assim existe quem acredite num Mundo melhor, e esses sim devem ser apoiados. Toda a pessoa afirma que quer um Mundo melhor, mas querer um mundo melhor não é apenas dizer isso, é dizer e agir.
Não falando apenas sobre a ética e parte sentimental, é preciso esclarecer que o vegetarianismo é SIM uma alimentação saudável, caso contrário não existiriam dezenas de milhões de pessoas espalhadas no mundo inteiro que optam por este estilo de vida, nem médicos especialistas que também apoiam esta causa. É de notar que poderão existir carências para uma pessoa que não tenha uma alimentação saudável seja esta vegetariana ou não. Concluindo, peço que depois de todas estas informações que passaram no passado (que para além de incorrectas vão contra o vegetarianismo) peço que se informem, e façam um optimo trabalho como são capazes com informação posítiva sobre este tema. Contactem especialistas a favor deste tema e passem a sua opinião no ecrâ, em horário nobre e canal aberto.
Podem ter um papel muito importante, ao apresentarem uma maneira de viver tão boa e tão beneficiadora;
Têm na mão a capacidade de mudar um Mundo, utilizem-na para o Bem.
Muito obrigado,
Cumprimentos,
Ana Priscila
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« Responder #8 em: Maio 29, 2010, 11:34:57 »

São necessárias grandes áreas de superfície agrícola útil para a produção deste tipo de culturas energéticas. De acordo com um relatório da AEA (AEA, n.º 4/2004), tendo em conta as estruturas de preços actuais e a procura de alimentos na Europa e no mundo, o aumento da procura de agro-combustíveis só pode ser satisfeito e, ainda assim, parcialmente, através da redução da produção de alimentos a partir das potenciais plantas energéticas. A superfície total do solo consagrado à produção de culturas, portanto, teria de aumentar.
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