"A minha intenção é ser bacharel em Ciências Biológicas para ajudar os
animais. Não para matá-los." Bachinski.
Aluno obtém na Justiça direito de não sacrificar cobaias em aula
Estudante de Biologia diz que prática didática é uma crueldadeCARLOS WAGNER
O aluno de Ciências Biológicas Róber Freitas Bachinski, 20 anos, obteve na
Justiça Federal o direito de cursar as disciplinas de Bioquímica II e
Fisiologia Animal B na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sem
sacrificar ou dissecar animais.
A decisão liminar que beneficiou apenas o estudante do quarto semestre foi
dada no dia 13 pelo juiz da Vara Ambiental Cândido Alfredo Silva Leal
Júnior. Ela reconhece a "objeção de consciência", um direito previsto na
Constituição, que garante ao aluno se manter fiel às suas crenças e
convicções sem que isso signifique um prejuízo para a sua vida acadêmica.
Cabe à universidade oferecer métodos alternativos para ensinar e avaliar o
aluno. Segundo o professor João Ito Bergonci, diretor em exercício do
Instituto de Biociências, ainda não está definido se o aluno irá ficar na
sala vendo os seus colegas manipularem os animais ou se terá um local
especial para trabalhar. O estudante não se opõe a permanecer na sala de
aula, desde que não manipule os bichos.
- A minha intenção é ser bacharel em Ciências Biológicas para ajudar os
animais. Não para matá-los. É crueldade matar rãs e ratos para fins
didáticos. Existem vários métodos alternativos de ensino no mundo e no
Brasil - comenta Bachinski, lembrando programas de computação que simulam o
procedimento.
Depois de concluir o curso técnico de Zootecnia em São Vicente do Sul, na
Região Central, ele se mudou para Porto Alegre, onde fez vestibular na
UFRGS. Diz que o curso técnico serviu para amadurecer o seu conhecimento a
respeito do que considera crueldade com os animais em salas de aula.
- Entrei na UFRGS acreditando que encontraria pessoas esclarecidas, que
iriam respeitar as minhas crenças. Estava enganado. Precisei recorrer à
Justiça para fazer valer o meu direito - comenta o acadêmico.
ONGs apoiaram ação de estudanteBachinski disse que antes de ir ao Judiciário tentou negociar com a
universidade. Em novembro, entrou com um processo na Reitoria solicitando
que fosse respeitado o seu desejo de não manipular animais. Foi informado de
que a atividade era uma exigência do curso.
- O máximo que consegui foi a permissão de levar para casa quatro ratos que
seriam sacrificados por não terem mais serventia - disse.
Em sua ação, Bachinski recebeu apoio das organizações não-governamentais
Movimento Gaúcho de Defesa Animal (MGDA) e do Instituto Jusbrasil. A
publicitária Maria Luiza Nunes, presidente do MGDA, disse que o aluno é um
exemplo.
(
carlos.wagner@zerohora.com.br ) jornalista.
JORNAL ZERO HORA
Porto Alegre, 20 de junho de 2007. Edição nº 15277