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| | | |-+  A realidade sobre os Agro-combustíveis: Energia destructiva e menos sustentável?
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Tópico: A realidade sobre os Agro-combustíveis: Energia destructiva e menos sustentável?  (Lida 2276 vezes)
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« em: Junho 18, 2007, 03:32:06 »


Agro-combustíveis: Aumento de terras cultivadas, desflorestação e mais emissões

16-Jun-2007

São necessárias grandes áreas de superfície agrícola útil para a produção deste tipo de culturas energéticas. De acordo com um relatório da AEA (AEA, n.º 4/2004), tendo em conta as estruturas de preços actuais e a procura de alimentos na Europa e no mundo, o aumento da procura de agro-combustíveis só pode ser satisfeito e, ainda assim, parcialmente, através da redução da produção de alimentos a partir das potenciais plantas energéticas. A superfície total do solo consagrado à produção de culturas, portanto, teria de aumentar.

De acordo com os cálculos do britânico George Monbiot, para mover os carros e autocarros do Reino Unido com biodiesel seriam necessários 25,9 milhões de hectares, sendo que apenas existem nesse país 5,7 milhões de hectares.
O relatório da AEA afirma ainda que: se as terras de pousio de longa duração forem utilizadas para a produção de culturas energética ou a produção intensiva de alimentos para satisfazer a procura acrescida de terras, as grandes quantidades de CO2 que serão emitidas serão suficientes, possivelmente, para anular por muitos anos os benefícios em termos de redução das emissões de CO2 decorrentes da mudança para os agro-combustíveis. Isto explica-se pelo facto de os solos libertarem CO2 durante a mineralização da matéria orgânica, um processo que é acelerado com a aragem. Os solos que têm grandes quantidades de matéria orgânica, e estão neste caso os prados e as terras de pousio, libertam mais CO2.

E também a desflorestação originada pela expansão destas culturas é uma importante fonte de emissões de CO2 e perda de biodiversidade. Por exemplo, calcula-se que a destruição de turfa na cultura do óleo de palma para biodiesel no Sudoeste Asiático (onde actualmente se cultiva a maior parte deste óleo) pode provocar um volume de emissões de CO2 entre 2 a 8 vezes superior ao do gasóleo mineral que substitui (esta estimativa é muito moderada, e baseia-se nas informações científicas mais recentes).

A produção em massa do óleo de palma já causou a devastação de grandes extensões de florestas na Colômbia, Equador e Indonésia. Na Malásia, maior produtor mundial de óleo de palma, 87% das florestas foram devastadas entre 1985 e 2000. Em Sumatra e em Bornéu, desapareceram 4 milhões de hectares de florestas a favor do cultivo da palma; e está prevista a limpeza de mais 6 milhões de hectares na Malásia e 16,5 milhões de hectares na Indonésia.

http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3148&Itemid=40



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Agro-combustíveis: energia limpa e sustentável?

16-Jun-2007 

Embora existam diferentes tipos de agro-combustíveis, também chamados de bio-combustíveis1, os mais comuns são o biodisel e o bioetanol. Os primeiros são produzidos a partir de oleaginosas (como o girassol, soja, colza, palma), enquanto que os segundos são produzidos a partir de cereais (como o milho e o trigo), beterraba sacarina, cana de açúcar e biomassa florestal. Os cultivos mais usuais são: milho, trigo, soja, colza e cana de açúcar.
Dependendo das opções, os impactes globais deste tipo de energia podem ser alarmantes: não só as emissões com origem na produção de energia e na agricultura podem aumentar, como a produção de culturas energéticas para agro-combustíveis pode ter incidências na biodiversidade das terras agrícolas e noutras variáveis ambientais.

Ineficiência energética e maiores emissões

As culturas energéticas só são rentáveis em sistemas monoculturais intensivos, devido às economias de escala, consumindo elevadas quantidades de água, fertilizantes, fitofármacos e energia. Além de contribuírem para a perda de fertilidade do solo, a sua contaminação e a dos aquíferos, estudos estimam que o balanço energético do ciclo de vida dos agro-combustíveis é pequeno ou mesmo negativo. Ou seja, se todos os custos forem contabilizados conclui-se que a energia utilizável do agro-combustível é menor que o total da energia gasta em produzi-lo: isto põe por terra o discurso da neutralidade dos agro-combustíveis quanto às emissões de carbono. Por exemplo, no caso do etanol de milho são necessárias 1,3 kilocalorias de petróleo para produzir uma kilocaloria de bioetanol.

Um relatório da Agência Europeia de Ambiente (AEA, n.º 4/2004) indica que a conversão das culturas (biomassa) em agro-combustíveis para os transportes gera menores economias e reduções de GEE do que outras utilizações energéticas da biomassa. A título de comparação, a combustão directa de biomassa numa central eléctrica para produção de electricidade é significativamente mais eficiente em termos de rendimento energético.

E como refere a professora Mae-Wan Ho, especialista em genética e bioquímica da Universidade de Hong Kong, «os biocombustíveis têm sido propagandeados e considerados erradamente como "neutros em carbono", como se não contribuíssem para o efeito estufa na atmosfera: quando são queimados, o dióxido de carbono que as plantas absorvem quando se desenvolvem nos campos é devolvido à atmosfera. Ignoram-se assim os custos das emissões de CO2 e de energia dos fertilizantes e pesticidas utilizados nas colheitas, dos utensílios agrícolas, do processamento e refinação, do transporte e da infra-estrutura para distribuição». Para a investigadora, os custos extras de energia e das emissões de carbono são ainda maiores quando os agro-combustíveis são produzidos num país e exportados para outro.

1 Por que chamá-los agro-combustíveis e não bio-combustíveis? João Pedro Stédile (artigo Agro-combustíveis: A quem interessa o monocultivo?) afirma: "existe uma grande manipulação por parte desse capital em chamar aos combustíveis de origem vegetal, renovável, com o prefixo bio, que significa vida. Trata-se de uma aberração, porque todos os seres vivos têm o componente bio. Então, nós poderíamos nos chamar bio-pessoas, bio-joãopedro, bio-soja. Mas, ele (o capital) passa a utilizar o prefixo bio para dar a entender que é uma coisa boa, politicamente correcta. Por isso, ao igual que a Via Campesina Internacional acordámos chamá-los pelo seu verdadeiro conceito. Ou seja, combustíveis ou energia de origem produzida no agro. Portanto, o termo correcto é agro-combustíveis ou agro-energia."
No título deste dossier preferimos "biocombustíveis", por ser o termo mais divulgado.
 
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3150&Itemid=40



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Agro-combustíveis podem provocar aumento da fome no mundo

16-Jun-2007 

A competição dos agro-combustíveis com a produção de alimentos tem levado ao aumento substancial do preços destes, gerando fortes conflitos sociais. O resultado, assinala Atílio Borón Biocombustibles: el porvenir de una ilusión, é um "holocausto social de enormes proporções: por cada incremento de um por cento no preço dos alimentos básicos, juntam-se mais 16 milhões de pessoas ao grupo dos que passam fome".
A procura de milho para produção de etanol nos EUA já aumentou o actual défice mundial de cereais, provocando uma subida significativa dos preços do milho: as reservas mundiais de cereais desceram ao seu nível mais baixo em mais de duas décadas.

Por exemplo, conforme aumenta a capacidade transformadora do trigo em etanol este aumenta de preço: 115% nos EUA em apenas 15 meses; a cevada, outra fonte de etanol, aumentou uns 50%. Em 2006, cerca de 60 por cento do total do óleo de colza produzido na UE destinou-se ao fabrico de biodiesel. O preço do óleo de colza subiu 45 por cento em 2005, e depois mais 30% até atingir cerca de 800 dólares por tonelada. O gigante alimentar Unilever prevê outro aumento do preço de cerca de 200 euros por tonelada para o próximo ano devido a uma procura adicional de biodiesel.

Segundo a FAO, em 2006 registou-se uma baixa na relação reservas mundiais/consumo de cereais, assim como níveis recorde da procura (superando a produção mundial) do cultivo de oleaginosas, devido à produção de agro-combustíveis..

A expansão da produção de agro-combustíveis coloca em risco a soberania alimentar e pode agravar profundamente o problema da fome no mundo. No México, por exemplo, o aumento das exportações de milho para abastecer o mercado de etanol nos Estados Unidos causou um aumento de 400% no preço do produto, que é a principal fonte de alimento da população, provocando protestos massivos.

Lester Brown, director do Earth Policy Institute e ex-funcionário de vários governos americanos, adverte: "a quantidade de cereal que se necessita para encher um tanque de quase 100 litros com etanol uma única vez chega para alimentar uma pessoa um ano inteiro". Acrescenta ainda que "a competição entre os 800 milhões de automóveis e as 2.000 milhões de pessoas mais pobres do mundo pode conduzir a revoltas populares".

C. Ford Runge e Benjamin Senauer, no artigo "How Biofuels Could Starve the Poor" publicado em foreignaffairs.org, assinalam: "Numa investigação sobre a segurança alimentar mundial que fizemos em 2003, prognosticámos que de acordo com as taxas de crescimento económico e demográfico, o número de famintos no mundo se reduziria em cerca de 23%, quase 625 milhões de pessoas, sempre que a produtividade agrícola crescesse de tal forma que se pudessem manter constantes os preços relativos dos alimentos. Porém, se os restantes factores não variarem, se os preços dos alimentos básicos subirem devido à procura de biocombustíveis, como sugerem as projecções do IFPRI (International Food Policy Research Institute), a quantidade de pessoas no mundo que não têm a sua segurança alimentar assegurada aumentará em mais de 16 milhões cada vez que aumente em um por cento o preço real dos alimentos básicos. A ser assim, em 2025 poderia haver 1200 milhões de pessoas que sofrem de fome crónica, mais 600 milhões que o número antes previsto".
 
http://www.esquerda.net/index.php?option=com_content&task=view&id=3145&Itemid=40


« Última modificação: Junho 18, 2007, 03:34:42 por Earth First » Registado

The Animal Holocaust: www.petatv.com
meddy
Visitante
« Responder #1 em: Maio 29, 2010, 11:37:05 »

É verdade que posso encontrar gorduras saturadas em alimentos vegetais, mas não se encontram concentradas da mesma forma como na carne ou no peixe.
Para ser vegetariano teria que fazer um verdadeiro plano de engenharia alimentar além de que com todos os meus problemas seria limitar ainda mais as minhas opções alimentares. O que eu já tenho feito uma vida inteira.

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