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| | | |-+  REFERENDO: DESPENALIZAÇÃO NÃO É LIBERALIZAÇÃO
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Tópico: REFERENDO: DESPENALIZAÇÃO NÃO É LIBERALIZAÇÃO  (Lida 890 vezes)
arpe
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« em: Fevereiro 09, 2007, 01:27:23 »

"Comunicar é pôr em Comum"
Carlos Grade, especialista em Comunicação

Creio que já aqui escrevi o suficiente, noutros tópicos, sobre o sentido do meu voto (SIM) neste Referendo. Não sinto por isso necessidade de argumentar, debater, ou defender esse ponto de vista que já foi esclarecido.

No entanto sinto que é fundamental escrever ainda sobre um dos aspectos que mais me "incomodam" na comunicação das várias posições que vou lendo, aqui neste fórum, como noutros meios.
Primeiro quero diferenciar, informação de comunicação. A informação, tem como fundamento a divulgação de factos, que correspondam, tanto a questões tangíveis ou intangíveis (físicas ou metafísicas), que relatem com tanta fidelidade quanto possível a realidade (visto ser impossível excluir o olhar de quem informa), procurando a "verdade", com sentido de ética e respeito pela diversidade de opiniões.
A comunicação, segundo um dos meus queridos mestres da comunicação, é algo diferente. Pôr em comum, significa, veicular num mesmo espaço, tempo, terrítório ou grupo, uma mensagem que queremos que seja lida, entendida, interpretada, tanto quanto possível, com um mesmo sentido, com uma mesma direcção. Podemos incluir nesta forma, a publicidade, a propaganda, a comunição empresarial, política, e outras formas, que podem veicular mensagens mais ou menos positivas, ,mais ou menos justas, etc.
 
Nesta campanha do Referendo que hojer termina, tenho observado vezes sem conta, a tentativa de tentar "pôr em comum" algumas interpretações da pergunta que recordo - Concorda com a despenalização da IGV, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
Ora esta pergunta, aprovada pela maioria dos deputados da Assembleia da República, aprovada pelo Tribunal Constitucional, e homologada pelo Presidente da República, não deixa muitas margens para interpretações, ou leituras diversas do que lá está escrito em bom português.

Despenalizar
é claramente diferente de liberalizar,. Dizer que este referendo é sobre a Liberalização do Aborto, ou dizer que é sobre a despenalização da IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) é claramente diferente.
Mas há ainda a contextualização, isto é a definição de um conceito que determina os limites de tempo - até às 10 semanas - assim como as condicionantes quanto a quem e onde - por opção da mulher e em establecimento de saúde autorizado.
Sabemos que estás questões tem levantado muita discussão, e por vezes levam-nos para as margens do que é essencial neste referendo. Perante a pergunta, clara e inequivoca, se somos contra a penalização, logo pela despenalização, dentro das condições que a pergunta descreve, votamos SIM (mesmo que defendamos valores contrários, como os valores da Vida, da Consciência, da espiritualidade, como é o meu caso).[/color]
Se pelo contrário, concordamos que tudo fique como está, logo, se concordamos com a penalização (criminal, moral, ou de qualquer outro tipo), nas condições descritas na pergunta, votamos NÃO.
Recordo ainda que na lei, já é permitida a IVG, noutras condições (mal formação do feto, violação, e outras). Na essência a questão não é sobre ser contra ou a favor do Aborto. Não é sobre a liberalização do Aborto. Não é sequer sobre a despenalização do Aborto em qualquer situação. Mas sim nas condições formuladas na pergunta.

Abraço as mensagens deixadas por Cristo, Buda e tantos outros homens sábios que souberam cultivar a compaixão e o perdão. Alicerço nessa sabedoria a minha convição que a via para contribuir para diminuir as causas do sofrimento humano, estão na despenalização (não apenas legal, mas também moral , social e espiritual) daqueles seres que passam pela dura realidade do Aborto (mãe e feto). 
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Madeira
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« Responder #1 em: Fevereiro 09, 2007, 06:03:14 »

Qual é a diferença da pergunta que vai a votos no Domingo e esta?

"Concorda com a liberalização do aborto até às 10 semanas, se realizada por opção da mulher, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, sendo assim despenalizado?"

Dizer que o que vai a votos é a despenalização e não a liberalização, quando de facto é a segunda tendo por consequência a primeira, é o argumento mais absurdo usado pelos defensores do sim. Porém, acaba por ser o mais forte, pois ninguém quer ver mulheres a passarem por processos judiciais por terem feito um aborto, e apenas por processos, não por anos na cadeia, como tanta gente apregoa. E é o argumento mais forte, porquê? É o argumento mais forte, porque a maior parte das pessoas que vão votar não se informam, em vez disso, vão atrás das paixões de quem diz que o que está em causa é a despenalização e não a liberalização.

Eu até vou mais longe e digo que a forma como a pergunta foi elaborada não é de todo inocente. A pergunta está feita para dar mais enfase à despenalização em detrimento da liberalização. Não é por acaso que "liberalização" não aparece na pergunta, ao contrário de "despenalização".

É bom não esquecer que neste caso "despenalização" é uma consequência da "liberalização". Neste caso vai haver uma liberalização do aborto até às 10 semanas, em locais pré-defenidos, e consequentemente uma despenalização, óbvia, de quem o fizer. A palavra "despenalização" nem sequer devia estar na pergunta, pois algo que é legal nunca pode ser penalizado. Mais uma vez recordo que a pergunta não é inocente.

Vou dar uns exemplos:
O consumo de haxixe, em certas quantidades, foi despenalizado, mas não legalizado. Que eu saiba quem vende continua a ser penalizado. Neste caso vai ser legal médicos fazerem abortos, logo por consequência niguém pode ser penalizado por recorrer a eles. No caso do haxixe trata-se apenas de despenalização. No aborto é de liberalização por consequência existe uma desp... (Será que vale a pena dizer novamente "por consequência uma despenalização"? A despenalização está implicita na liberalização, por isso vou começar a omitir essa parte.)

Por vezes referem que é a liberalização (e mesmo assim fazem todos os possíveis para omitir esta palavra, tal qual como foi feito na elaboração da pergunta que vai a referendo), mas é em locais autorizados por lei e até uma certa data. O que até parece que querem dizer que não é bem liberalização. Mas então e o tabaco e o álcool, por exemplo? A sua venda e consumo não é "apenas" legal se for vendido/comprado em estabelecimentos autorizados por lei? E a maiores de 18 anos? E por isso deixa de ser chamado algo legal, para se dizer que é algo que é despenalizado se for comprado/vendido em estabelecimentos próprios para o efeito e apenas a maiores de 18 anos? Por favor, não mandem areia para os olhos das pessoas. Para os meus, não!

Peço que, ao menos, não omitam dados importantes para as pessoas formularem as suas opiniões. Penso que a maior omissão ainda é muitas vezes nem sequer ser falado no feto que vai ser morto, mas apenas na mãe. Ao contrário da maior parte das pessoas que estão do lado do não, que defendem a vida, tanto da mãe e do feto, tendo para isso muitos deles formado instituições, e colaborando com elas, que ajudam tanto mães como filhos.

Se os milhões de euros que estão designados para clínicas de aborto, e tudo o resto que vem por trás, fossem investidos em mais associações do género e ainda numa maior interacção entre pessoas que querem adoptar e mães que não querem ter os seus filhos, o número de abortos clandestinos seriam reduzidos drasticamente.


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Abraço as mensagens deixadas por Cristo, Buda e tantos outros homens sábios que souberam cultivar a compaixão e o perdão. Alicerço nessa sabedoria a minha convição que a via para contribuir para diminuir as causas do sofrimento humano, estão na despenalização (não apenas legal, mas também moral , social e espiritual) daqueles seres que passam pela dura realidade do Aborto (mãe e feto).

É estranho como ambos podemos abraçar tais sábios, como Cristo ou Buda, e estarmos em pratos diferentes de uma mesma balança. Mas é algo que acontece frequentemente, pois como humanos que somos, acrescentamos muitas vezes pesos a um lado da balança e esquecemo-nos de olhar para o outro. Concordo plenamente que se deve ter compaixão e perdoar. Penso que qualquer pessoa que cometa algum "crime", algo contra-natura, não deve ser castigado, mas sim amparado, ajudado, para que possa viver em plenitude, como todos temos o direito de viver, e não ficar engaiolado numa prisão sem fazer nada, por muitas vezes saindo de lá "pior" do que como entraram. Mas é isso que deve ser corrigido e não liberalizar a morte de um ser humano como se fosse algo normal. Se uma mulher que sofre de violência doméstica, que é perseguida por o causador dessa violência, não tem o direito de matar essa pessoa, como se lhe pode dar o direito decidir matar um ser indefeso, que por poucas condições que ela tenha, se ela for ajudada, só precisará de servir de seu abrigo durante 9 meses?
"As causas do sofrimento humano", como o início da frase indica, não estão nas consequências dos actos, mas sim nas causas dos actos. Não se resolve nada ao eliminar as consequências, o feto, apenas se pode resolver um problema actuando nas causas dos mesmos problemas e não nas consequências.
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« Responder #2 em: Fevereiro 09, 2007, 07:56:59 »


Caro Madeira,

Obrigado pelo seu importante contributo nesta questão, que foi de grande valor para a ajudar a esclarecer alguns pontos essenciais. Concordo totalmente com a sua opinião, e considero que isso sim, seria a via para ajudar a minorar estes problemas. Prevenir e não remediar.


Levanta-se sim uma questão importante: porque é que certos sectores da sociedade não estão interessados em na prática resolver problemas que podem originar no aborto, ou seja, apoiar as pessoas na raiz do problema, mas sim em promover o aborto livre?

A resposta está aqui:
http://groups.yahoo.com/group/InfoNature-Portugues/message/696

Cumprimentos

« Última modificação: Fevereiro 09, 2007, 07:58:01 por Earth First » Registado

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